sábado, 21 de dezembro de 2013

Leonardo Boff


O materialismo do Papai Noel e a espiritualidade do Menino Jesus

21/12/2013
Um dia, o Filho de Deus quis saber como andavam as crianças que outrora, quando andou entre nós,“as tocaca e as abençoava” e que dissera:”deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o Reino de Deus”(Lucas 18, 15-16).
À semelhança dos mitos antigos, montou num raio celeste e chegou à Terra, umas semanas antes do Natal. Assumiu a forma de um gari que limpava as ruas. Assim podia ver melhor os passantes, as lojas todas iluminadas e cheias de objetos embrulhados para presentes e principalmente seus irmãos e irmãs menores que perambulavam por aí, mal vestidos e muitos com forme, pedindo esmolas. Entristeceu-se sobremaneira, porque verificou que quase ninguém seguira as palavras que deixou ditas:”quem receber qualquer uma destas crianças em meu nome é a mim que recebe”(Marcos 9,37).
E viu também que já ninguém falava do Menino Jesus que vinha, escondido, trazer na noite de Natal, presentes para todas as crianças. O seu lugar foi ocupado por um velhinho bonachão, vestido de vermelho com um saco às costas e com longas barbas que toda hora grita bobamente:”Oh, Oh, Oh…olhem o Papai Noel aqui”. Sim, pelas ruas e dentro das grandes lojas lá estava ele, abraçando crianças e tirando do saco presentes que os pais os haviam comprado e colocado lá dentro. Diz-se que  veio de longe, da Finlândia, montado num trenó puxado por renas. As pessoas haviam esquecido de outro velhinho, este verdadeiramente bom: São Nicolau. De família rica, dava pelo Natal presentes às crianças pobres dizendo que era o Menino Jesus que lhes estava enviando. Disso tudo ninguem falava. Só se falava do Papai Noel, inventado há mais de cem anos.
Tão triste como ver crianças abandonadas nas ruas, foi perceber como elas eram enganadas, seduzidas pelas luzes e pelo brilho dos presentes, dos brinquedos e de mil outros objetos que os pais e as mães costumam comprar como presentes para serem distribuidos por ocasião da ceia do Natal.
Propagandas se gritam em voz alta, muitas enganosas, suscitando o desejo nas crianças que depois correm para os pais, suplicando-lhes para que comprem o que viram. O Menino Jesus travestido de gari, deu-se conta de que aquilo que os anjos cantaram de noite pelos campos de Belém”eis que vos anuncio uma alegria para todo o povo porque nasceu-vos hoje um Salvador…glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa-vontade”(Lucas 2, 10-14) não significava mais nada. O amor tinham sido substituído pelos objetos e a jovialidade de Deus que se fez criança, tinha desaparecido em nome do prazer de consumir.
Triste, tomou outro raio celeste e antes de voltar ao céu deixou escrita uma cartinha para as crianças. Foi encontrada debaixo da porta das casas e especialmente dos casebres dos morros da cidade, chamadas de favelas. Ai o Menino Jesus escreveu:

Meus queridos irmãozinhos e irmãzinhas,

Se vocês olhando o presépio e virem lá o Menino Jesus e se encherem de fé de que ele é o Filho de Deus Pai  que se fez um menino, menino qual um de nós e que Ele é o Deus-irmão que está sempre conosco,

Se vocês conseguirem ver nos outros meninos e meninas, especialmente nos pobrezinhos, a presenca escondida do Menino Jesus nascendo dentro deles.

Se vocês fizerem renascer a criança escondida no seus pais e nas pessoas adultas para que surja nelas o amor, a ternura, o carinho, o cuidado e a amizade  no lugar de muitos presentes.

Se vocês ao olharem para o presépio descobrirem Jesus pobremente vestido, quase nuzinho e lembrarem de tantas crianças igualmente pobres e mal vestidas e sofrerem no fundo do coração por esta situação desumana e se decidirem já agora, quando grandes, mudar estas coisas para que nunca mais haja crianças chorando de fome e de frio,

Se vocês repararem nos três reis magos com os presentes para o Menino Jesus e pensarem que até os reis, os grandes deste mundo e os sábios reconheceram a grandeza escondida desse pequeno Menino que choraminga em cima das palhinhas,

Se vocês, ao verem no presépio todos aqueles animais, como as ovelhas, o boi e a vaquinha pensarem que o universo inteiro é também iluminado pela Menino Jesus e que todos, galáxias, estrelas, sois, a Terra  e outros seres da natureza e nós mesmos formamos a grande Casa de Deus,

Se vocês olharem para o alto e virem a astrela com sua cauda e recordarem que sempre há uma Estrela como a de Belém sobre vocês,  iluminando-os e mostrando-lhes os melhores caminhos,

Se vocês  aguçarem bem os ouvidos e escutarem a partir dos sentidos interiores, uma música celestial como aquela dos anjos nos campos de Belém que anunciavam paz na terra,

Então saibam que sou eu, o Menino Jesus, que  está chegando de novo e renovando o Natal. Estarei sempre perto de vocês, caminhando com vocês, chorando com vocês e brincando com vocês até aquele dia em que chegaremos todos, humanidade e universo, à Casa do Pai e Mãe de infinita bondade para sermos juntos eternamente felizes como uma grande família reunida.

                                    Belém, 25 de dezembro do ano 1.

                                    Assinado: Menino Jesus


quinta-feira, 19 de dezembro de 2013


AMACI

AMACI vem da palavra ‘amaciar’, ‘tornar receptivo’, é um ritual, uma espécie de iniciação que todos os médiuns umbandistas, iniciantes ou não, devem, pelo menos uma vez ao ano, passar.

É um liquido preparado com folhas e águas sagradas escorado por alguns fundamentos específicos da Umbanda e que tem como objetivo a lavagem da cabeça/coroa do médium.

Nesse contexto, o Amaci ‘despertar’ as faculdades nobres do médium que ainda estão adormecidas, descarrega e apazigua o chacra coronário (centro de recepção espiritual Superior) e ainda liga/religa o médium ao Orixá, fazendo com que ele tenha a Sua vibração e energia interiorizada em seu espírito, mente e coração.

Receber o Amaci é entrar em contato direto com o Poder do Orixá, é um momento de grande emoção e que deve estar enredado pela reverência, amor, devoção, lealdade e comprometimento para com o Orixá, a Umbanda e o Plano Espiritual.É o momento em que o médium se coloca diante do Sagrado como ‘Filho de Orixá’, que abaixa sua cabeça em respeito e em saber à Superioridade Divina. Ocasião em que o médium deve se ajoelhar e deixar a voz do coração dizer:

E ainda com o coração batendo forte, o médium deita-se sobre a esteira de palha aos pés de seu Pai Espiritual e recebe o Amaci. Água cheirosa que ao escorrer pelo rosto se mistura com as lágrimas numa junção de fé, sagrado e pertencimento.

Sim! Agora o médium não está mais sozinho. Agora ele “pertence” ao Orixá, ao Poder Realizador que em forma de Divindade o acolherá em todos os momentos.

É um ritual fundamental para uma verdadeira e segura caminhada espiritual dentro dos fundamentos da Umbanda. É um cerimonial único e divino que quando bem orientado e bem realizado, o médium perceberá as mudanças que acontecerão em sua vida espiritual, consequentemente em toda sua vida.


Que Oxalá nos abençoe sempre


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013





  QUEM  É O TRONQUEIRA


Muitos são, os que chegam a um templo de Umbanda e reparam naquelas casinhas, chamadas de tronqueira, existentes na porta.
Este recurso é, no templo, um ponto de força onde está firmado (ativado) o poder dos guardiões que militam em dimensões a nossa esquerda.
A tronqueira é um portal de polaridade negativa absorvedora e esgotadora fazendo exatamente a justa posição com o altar (conga) que é um portal de polaridade positiva irradiadora.
Dizem alguns clarividentes que, no astral, esse portal de força assemelha-se a um vórtice que “suga” e que impede as forças hostis de se servirem do ambiente religioso de forma deturpada.
A força da tronqueira advém dos elementos ativados no astral que são instrumentos dos mistérios dos Exús e Pombagiras. São sempre guiados pela Lei Maior e pela Justiça Divina para beneficiar os trabalhos espirituais realizados no terreiro como anulação de forças negativas, recolhendo e encaminhado seres trevosos, protegendo e muitas vezes abrindo caminhos e curando. Alguns exemplos de elementos dispostos são: tridentes, punhais, velas, ervas, pedras, bebidas, entre outros.
Existem outros tipos de elementos, que são velados. Isto é necessário, para manter o devido resguardo dos trabalhos do templo, evitando até que pessoas dêem mau uso a forças tão importantes.
É importante que os médiuns e que toda a assistência saibam da importância de uma tronqueira e que todos entendam que este ponto de força está sobre as ordens da Lei Maior.
Quando alguém deturpa este ponto de força, usando-o de forma negativa, este se torna um portal negativo. Este tipo de procedimento não é da Umbanda e sim de seitas que muitas vezes se utilizam do nome da nossa religião.

Não podemos nunca esquecer de saudar, de forma respeitosa, a tronqueira e os exus guardiões, quando adentramos nos templos.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Não coloque a culpa no obsessor!
por Bruno J. Gimenes -

Na grande maioria das vezes, é comum uma pessoa se motivar em buscar sua espiritualidade porque experimenta um período de calamidades emocionais, crises financeiras e existenciais. As portas do mundo parecem fechadas para ela, e realmente é possível que estejam mesmo. São momentos em que tudo dá errado, mas muito errado mesmo, a ponto de todos ao redor sentirem pena. Nesse instante não dá realmente para ignorar que tem algo estranho acontecendo. Além disso, muitas vezes o indivíduo adoece, sendo acometido por dores fortes e outras complicações físicas. Literalmente, o mundo caiu.

O que está acontecendo?

Na verdade, o mundo caiu mesmo porque foi construído ao longo da vida sem alicerce firme, e agora a pessoa está colhendo o que plantou.

Nesses momentos, a pessoa recorre a tudo que ela já tenha ouvido falar, procurando ajuda para renascer e sair dessa lama que sua vida se tornou. No desespero, inicia uma caminhada louca em busca de amenizar a dor e o sofrimento, muitas vezes sem medir as consequências. É comum a procura por milagres, milagreiros, gurus.

Não estou aqui desvalorizando a figura de tantas pessoas que existem nesse mundo, que estão ensinando, ajudando, se portando como verdadeiros mestres, que ajudam as pessoas a se entenderem em seus aprendizados. No Brasil e no mundo, existem milhares de seres bem intencionados, preparados, dedicados e verdadeiramente especiais, pois sem eles a situação do Planeta seria ainda pior.

Refiro-me ao fato de que quando a pessoa mergulha em um desespero, ela cria a tendência sempre de colocar a culpa no outro. Então, naturalmente ela também vai achar que a solução de seus problemas está com alguém externo e esse comportamento é condizente com quem está fora do eixo.

Nessa busca por amenizar a dor, é comum as pessoas buscarem igrejas, templos, religiões e filosofias que atribuem a causa de tanta desgraça, crises e problemas à presença de seres desencarnados chamados de obsessores ou encostos.

É claro que a influência produzida por espíritos desencarnados e desequilibrados é nociva! Porém, quero evidenciar que a culpa não é do encosto, do obsessor, do demônio ou sei lá de quem. A pessoa, por seu comportamento, seu padrão emocional e mental, a sua conduta de vida, moral, ética é que repele ou atrai tais influências.

Considero que a ajuda às pessoas que sofrem esse tipo de influência seja necessária e que as energias intrusas precisam ser removidas para que a pessoa viva feliz, mesmo porque, muitas vezes, sem ajuda externa ela não consegue se libertar sozinha. Só que atribuir toda a culpa de um fracasso atual para um "coitado" de um obsessor, puxa vida, aí é injustiça!

Pergunte-se em primeiro lugar: O que eu fiz para atrair esse tipo de influência? Por que eu estabeleci essa afinidade? Onde eu errei? O que preciso mudar para isso não acontecer mais?

Bingo!!! É disso que estamos falando! A ajuda externa é importante sim, mas não vai adiantar nada se você não mudar a sua maneira antiga de pensar, e isso dá trabalho, requer empenho e dedicação.

Quantas pessoas se dizem obsidiadas, vão às suas igrejas fazer descarregos, limpezas, purificações, desobsessões, no entanto depois que voltam para casa, brigam com seus cônjuges, cultivam mágoa, ódio, consomem álcool, cigarros, etc e não mudam nada em seus comportamentos. E daí, o que será que acontece depois?

Não demora nada e a influência espiritual se forma outra vez. Isso tudo sabe por quê?

Porque a única diferença que existe entre uma pessoa e seu obsessor é que um está vivo e outro não, só isso. Estão sintonizados pelo padrão de pensamentos, pelos vícios compatíveis, emoções densas, etc. Desobsessão simples, sem grandes doses de consciência, dificulta a evolução de qualquer ser.


Quando a pessoa se purifica e se eleva, a afinidade com esses seres se desfaz. Com o padrão psíquico melhorando, passamos a atrair seres espirituais com intenções muito mais elevadas, se configurando nesse caso como uma bênção e não uma influência negativa
De: livia Kersten=
Para: Mae Maria
Assunto: Obsidiar - movimento de lá prá cá

Mãe,
acho que o ser humano sempre procura um jeito de "tirar o seu da reta". Aí, inventa um capeta aqui, uma geena ali, um Hades do outro lado e vai pela vida afora atribuindo ao acaso o resultado de seus erros.
Li uma vez, que quem acredita em acaso nao crê em Deus. Não é mesmo?
Daí, se eu ando pelas vielas mal iluminadas, com roupas esquisitas (para não dizer outra coisa), de braços com pouca produtividade - devo esperar o quê? No mínimo um atraso de vida.
Agora, a  moda é deixar tudo amarrado em nome de Jesus e haja barbante  no plano astral para segurar tanta iniquidade, egoísmo, vaidade e outros toquinhos onde nos sentamos comodamente para ver a vida passar, ou deixar a vida nos levar.
Então, como está na moda, vamos culpar quem? Criam-se novos nomes para velhos atrasos, vinculam-se a velhos dogmas porque os novos nada mais são que reedição daqueles, e o que parece ser mais complicado: continua-se a não ter culpa (não gosto da palavra), ou responsabilidade por nada, porque não controlamos nada, nem mesmo a nossa vida que deixamos nas mãos de Deus.
Não é bonitinho? Dai, neguinho morre e chega no astral (se for espiritualista piora a coisa, porque acha que vai morar em Aruanda ou em Nosso Lar) e então  descobre que o que tem lá está muito parecido com o que deixou aqui, se é que deixou, e pensa: vou mudar pra quê? É tudo a mesma coisa, vou é me ajeitar. E dali parte para ficar coladinho a um ou outra e repetir o mesmo velho modelo.
Quando Francisco de Assis recebe o apelo de Jesus para mudar a sua Igreja, deveríamos ter entendido que o recado era para mudar a alma que se quer ter divina. Então, a receita do bolo só leva como fermento a Reforma ìntima que faz com que a massa(vida?) seja leve e palatável.
É isso. Acho que os livrinhos aqui do Instituto Histórico me inspiram - ou são mesmo os espíritos dos judeus sábios e estudiosos que me sopram aos ouvidos as ideias que te repito.
De qualquer forma, agradeço a Deus por ele colocar tanta coisa bonita na minha vida - a Umbanda, a Chama, o Espiritismo e pessoas tão lindas como as que tenho encontrado na Casa branca de Oxalá.
beijo Mãe
até amanhã com fé no Eterno, como eles dizem por aqui.
PS.: Já te falei que as vezes acho que minha preta era judia?
Filha Livia
Filho Ângelo
Bença mãe,

Acho esse texto muito bom! enho presenciado em meu trabalho no hospital a presença de Obaluaye!

Obaluaê, Senhor da Terra

Orixá das doenças e da cura, Obaluaê (manifestação jovem - guerreiro, caçador, lutador) ou Omulu (manifestação velha - sábio, feiticeiro, guardião), como é mais conhecido, representa a manifestação de Deus entre o mundo terrestre e o espiritual. Temido na maioria dos terreiros, sua fama como senhor das pestes, das doenças contagiosas ou não, ele, na verdade, é o médico dos pobres. Sou regida por ele e me sinto como se tivesse uma equipe médica ao meu lado, diariamente. 

Reza a lenda que era filho de Nanã, que o abandonou por ser doente, sendo criado por Iemanjá que o alimentava com pipoca sem sal acrescida de mel para melhorar o gosto, e passava azeite de dendê em suas feridas para aliviar a dor e coceira. 

Sua representação visual é revestida de mistério, pois é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha da Costa). É proibido ver o seu rosto devido à deformação feita pela doença e pelo respeito que devemos a esse poderosíssimo Orixá. 

Está presente no funcionamento do organismo, na dor que sentimos por um corte, queimadura ou traumatismo, agonia, aflição, ansiedade. A ele devemos a nossa saúde. Cuida também da pele e de suas moléstias. Também conhecido como Xapanã, seus filhos geralmente têm alergias, coceiras, pneumonia e até mesmo tuberculose, como eu mesma presenciei um deles ter. Rege as pessoas que têm problemas mentais, perturbações nervosas e todos os desequilíbrios do sistema nervoso. Sua influência, além dos cemitérios, pode ser sentida nos hospitais, casas de saúde, ambulatórios, clínicas, sempre próximo aos leitos. Cuida dos mutilados, aleijados, enfermos em geral. Ao contrário do que se prega, é o Orixá da Misericórdia. 

Quem tem a missão desse Orixá não pode vacilar. O compromisso com a cura é inevitável, seja profissionalmente, como médicos, enfermeiros, terapeutas ou médiuns curadores. Basicamente solitários, seus filhos ou protegidos preservam sua individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo até uma aura de respeito e de imposição, de um certo medo aos outros. Muitas vezes são pessoas irônicas, em que seus comentários são secos e diretos, o que colabora para a imagem de terrível que forma de si próprio.

Mas a minha história com esse arquétipo começou muito cedo. Desde jovem, aparecia em meu quarto uma figura muito forte, olhar dirigido para o chão, careca e sério. Achava estranho, mas quando iniciei a minha vida espiritual aos 18 anos, pude entender a sua presença. Sempre me protegeu, até no desamparo familiar, quando tive pneumonia e fui salva por ele, sem medicamentos. Todas as vezes que me encontrei numa situação crítica, ele ali estava e uma das mais significativas foi quando há cerca de 5 anos, tive um infarto, sozinha em casa. Minha respiração começou a ficar ofegante, senti uma queimação em todo o lado esquerdo dentro das artérias, como se elas estivessem levando um líquido ácido para o resto do corpo, comecei a desmaiar e a sentir uma pressão dentro da cabeça como fosse explodir a minha caixa craniana. Senti se esvaírem as minhas forças e iniciei uma descida quase que em câmera lenta. Quando atingi o chão, ouvi uma voz suave que me disse para ter calma. Imediatamente, senti como se estivessem colocando algo em minha garganta, o que imediatamente me fez começar a tossir. Cada vez que tossia parecia que a cabeça ia implodir de dor. Mas à medida que tossia, percebia que obrigava o coração a voltar ao seu ritmo normal, obrigando-o a levar a circulação para os periféricos. Foram momentos muito dolorosos, mas ao mesmo tempo confortantes. Eu estava sendo salva pela minha amada equipe de amigos invisíveis.

Quem é filho (a) de Obaluaê não precisa muito de médico e eu só fui ter com um por ocasião do nascimento do meu filho, em que o obstetra era a mesma figura física que eu sempre vira na minha juventude (dizem que um filho de Obaluaê só pode ser cortado, em cirurgia, por outro). Além do que meu filho nasceu no dia 17 de dezembro (São Lázaro), dia consagrado a ele. Outros dias de comemoração são 2 de novembro (Omulu) e também 16 de agosto (Xapanã). Todos com a mesma função.

Outro momento muito importante foi quando meu vizinho teve uma doença degenerativa e sua família, sem o menor constrangimento, já estava dividindo a herança antes do fato consumado. Como ele detinha um bom patrimônio, uma junta médica deu-lhe o diagnóstico “nada a fazer”. 
Fiquei indignada com a falta de amor e sensibilidade daquela família e me aproximando do seu leito lhe disse baixinho ao ouvido: “agüenta firme, a cavalaria já está a caminho”. Sai dali e fui direto pedir ao meu amigo Obaluaê que o curasse, o que imediatamente, em uma semana aconteceu. Encontrei-o saindo do elevador para correr na praia. Ele me deu um sorriso e se pôs a caminho do mar, como se fosse encontrar Yemanjá. Um ano depois, acabou sendo assassinado, a facadas (segundo a perícia, foram umas 15), supostamente por um ladrão que nada levou de sua casa. Estranho, não? Nessa época o casal já residia em outro bairro e eu fiquei sabendo pelos jornais. 

Mas nem sempre é possível reverter a situação, pois temos que respeitar as escolhas de cada um. Quando eu vejo alguém em estado de coma, sem condições de reversão, muitas vezes com o cérebro já comprometido, eu peço a ele que encaminhe aquele espírito para que obtenha descanso do sofrimento físico e sou na maioria das vezes atendida. 

A quantidade de curas que eu já vi acontecer me faz perceber que essa manifestação arquetípica de Deus, responsável por esse tema vida e morte, sem dúvida é para se ter muita certeza que quando se tem ele, se está muito bem acompanhado! Atotô Obaluaê! Obrigada, amigo, por você me proteger!
Filho Ângelo
Bença mãe,

Acho esse texto muito bom! enho presenciado em meu trabalho no hospital a presença de Obaluaye!

Obaluaê, Senhor da Terra

Orixá das doenças e da cura, Obaluaê (manifestação jovem - guerreiro, caçador, lutador) ou Omulu (manifestação velha - sábio, feiticeiro, guardião), como é mais conhecido, representa a manifestação de Deus entre o mundo terrestre e o espiritual. Temido na maioria dos terreiros, sua fama como senhor das pestes, das doenças contagiosas ou não, ele, na verdade, é o médico dos pobres. Sou regida por ele e me sinto como se tivesse uma equipe médica ao meu lado, diariamente. 

Reza a lenda que era filho de Nanã, que o abandonou por ser doente, sendo criado por Iemanjá que o alimentava com pipoca sem sal acrescida de mel para melhorar o gosto, e passava azeite de dendê em suas feridas para aliviar a dor e coceira. 

Sua representação visual é revestida de mistério, pois é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha da Costa). É proibido ver o seu rosto devido à deformação feita pela doença e pelo respeito que devemos a esse poderosíssimo Orixá. 

Está presente no funcionamento do organismo, na dor que sentimos por um corte, queimadura ou traumatismo, agonia, aflição, ansiedade. A ele devemos a nossa saúde. Cuida também da pele e de suas moléstias. Também conhecido como Xapanã, seus filhos geralmente têm alergias, coceiras, pneumonia e até mesmo tuberculose, como eu mesma presenciei um deles ter. Rege as pessoas que têm problemas mentais, perturbações nervosas e todos os desequilíbrios do sistema nervoso. Sua influência, além dos cemitérios, pode ser sentida nos hospitais, casas de saúde, ambulatórios, clínicas, sempre próximo aos leitos. Cuida dos mutilados, aleijados, enfermos em geral. Ao contrário do que se prega, é o Orixá da Misericórdia. 

Quem tem a missão desse Orixá não pode vacilar. O compromisso com a cura é inevitável, seja profissionalmente, como médicos, enfermeiros, terapeutas ou médiuns curadores. Basicamente solitários, seus filhos ou protegidos preservam sua individualidade com uma máscara de austeridade, mantendo até uma aura de respeito e de imposição, de um certo medo aos outros. Muitas vezes são pessoas irônicas, em que seus comentários são secos e diretos, o que colabora para a imagem de terrível que forma de si próprio.

Mas a minha história com esse arquétipo começou muito cedo. Desde jovem, aparecia em meu quarto uma figura muito forte, olhar dirigido para o chão, careca e sério. Achava estranho, mas quando iniciei a minha vida espiritual aos 18 anos, pude entender a sua presença. Sempre me protegeu, até no desamparo familiar, quando tive pneumonia e fui salva por ele, sem medicamentos. Todas as vezes que me encontrei numa situação crítica, ele ali estava e uma das mais significativas foi quando há cerca de 5 anos, tive um infarto, sozinha em casa. Minha respiração começou a ficar ofegante, senti uma queimação em todo o lado esquerdo dentro das artérias, como se elas estivessem levando um líquido ácido para o resto do corpo, comecei a desmaiar e a sentir uma pressão dentro da cabeça como fosse explodir a minha caixa craniana. Senti se esvaírem as minhas forças e iniciei uma descida quase que em câmera lenta. Quando atingi o chão, ouvi uma voz suave que me disse para ter calma. Imediatamente, senti como se estivessem colocando algo em minha garganta, o que imediatamente me fez começar a tossir. Cada vez que tossia parecia que a cabeça ia implodir de dor. Mas à medida que tossia, percebia que obrigava o coração a voltar ao seu ritmo normal, obrigando-o a levar a circulação para os periféricos. Foram momentos muito dolorosos, mas ao mesmo tempo confortantes. Eu estava sendo salva pela minha amada equipe de amigos invisíveis.

Quem é filho (a) de Obaluaê não precisa muito de médico e eu só fui ter com um por ocasião do nascimento do meu filho, em que o obstetra era a mesma figura física que eu sempre vira na minha juventude (dizem que um filho de Obaluaê só pode ser cortado, em cirurgia, por outro). Além do que meu filho nasceu no dia 17 de dezembro (São Lázaro), dia consagrado a ele. Outros dias de comemoração são 2 de novembro (Omulu) e também 16 de agosto (Xapanã). Todos com a mesma função.

Outro momento muito importante foi quando meu vizinho teve uma doença degenerativa e sua família, sem o menor constrangimento, já estava dividindo a herança antes do fato consumado. Como ele detinha um bom patrimônio, uma junta médica deu-lhe o diagnóstico “nada a fazer”. 
Fiquei indignada com a falta de amor e sensibilidade daquela família e me aproximando do seu leito lhe disse baixinho ao ouvido: “agüenta firme, a cavalaria já está a caminho”. Sai dali e fui direto pedir ao meu amigo Obaluaê que o curasse, o que imediatamente, em uma semana aconteceu. Encontrei-o saindo do elevador para correr na praia. Ele me deu um sorriso e se pôs a caminho do mar, como se fosse encontrar Yemanjá. Um ano depois, acabou sendo assassinado, a facadas (segundo a perícia, foram umas 15), supostamente por um ladrão que nada levou de sua casa. Estranho, não? Nessa época o casal já residia em outro bairro e eu fiquei sabendo pelos jornais. 

Mas nem sempre é possível reverter a situação, pois temos que respeitar as escolhas de cada um. Quando eu vejo alguém em estado de coma, sem condições de reversão, muitas vezes com o cérebro já comprometido, eu peço a ele que encaminhe aquele espírito para que obtenha descanso do sofrimento físico e sou na maioria das vezes atendida. 

A quantidade de curas que eu já vi acontecer me faz perceber que essa manifestação arquetípica de Deus, responsável por esse tema vida e morte, sem dúvida é para se ter muita certeza que quando se tem ele, se está muito bem acompanhado! Atotô Obaluaê! Obrigada, amigo, por você me proteger!

REPASSANDO
Exu Tronqueira é aquele que guarda o Terreiro e passa por uma triagem às pessoas que entram no Terreiro. Por isso a sua casa é colocada junto à porta de entrada e é a primeira a ser saudada. Todos devemos ter o máximo de respeito do Exu Tronqueira, pois se uma Gira corre bem e firme devemos agradecer principalmente a ele.
Muitas destas almas desorientadas não conseguem nem se aproximar dos Terreiros de Umbanda, pois os Exus da Tronqueira ficam encarregados de fazerem uma triagem liberando a passagem apenas das almas que eles percebem já estarem prontas para o socorro **, ou seja, prontas para seguirem um novo caminho longe do encarnado ao qual estava apegada. Este trabalho de separação é feito por eles com muito empenho e seriedade e será muito melhor sucedido se o encarnado der continuidade ao mesmo, quando menos melhorando os seus pensamentos e se livrando da negatividade e do medo. Os Exus são almas que riem, fazem troça, mas não brincam em serviço. Por este motivo, gostaríamos que os médiuns tivessem por eles o maior respeito e consideração, pois são eles os nossos guardiões e da Gira, responsabilizando se pela limpeza dos fluidos ou energias mais pesadas. Cada pessoa que entra em uma casa de Umbanda traz consigo seu saco de lixo cheio (são seus pensamentos, suas raivas, suas desilusões…) e são os Exus os trabalhadores encarregados de juntarem todos estes sacos para descarregar, dando a cada um de nós a oportunidade de diminuirmos o nosso lixo e facilitando nossas próximas limpezas. Cada vitória nossa é para estas Almas trabalhadoras um passo no caminho do desenvolvimento.
 Tem morador
de certo tem morador tem morador 
De certo tem morador
Na porta que o galo canta
De certo tem morador

O QUE É TRONQUEIRA.
Muitos são, os que chegam a um templo de Umbanda e reparam naquelas casinhas, chamadas de tronqueira, existentes na porta.
Este recurso é, no templo, um ponto de força onde está firmado (ativado) o poder dos guardiões que militam em dimensões a nossa esquerda.
A tronqueira é um portal de polaridade negativa absorvedora e esgotadora fazendo exatamente a justa posição com o altar (conga) que é um portal de polaridade positiva irradiadora.
Dizem alguns clarividentes que, no astral, esse portal de força assemelha-se a um vórtice que “suga” e que impede as forças hostis de se servirem do ambiente religioso de forma deturpada.
A força da tronqueira advém dos elementos ativados no astral que são instrumentos dos mistérios dos Exús e Pombagiras. São sempre guiados pela Lei Maior e pela Justiça Divina para beneficiar os trabalhos espirituais realizados no terreiro como anulação de forças negativas, recolhendo e encaminhado seres trevosos, protegendo e muitas vezes abrindo caminhos e curando. Alguns exemplos de elementos dispostos são: tridentes, punhais, velas, ervas, pedras, bebidas, entre outros.
Existem outros tipos de elementos, que são velados. Isto é necessário, para manter o devido resguardo dos trabalhos do templo, evitando até que pessoas dêem mau uso a forças tão importantes.
É importante que os médiuns e que toda a assistência saibam da importância de uma tronqueira e que todos entendam que este ponto de força está sobre as ordens da Lei Maior.
Quando alguém deturpa este ponto de força, usando-o de forma negativa, este se torna um portal negativo. Este tipo de procedimento não é da Umbanda e sim de seitas que muitas vezes se utilizam do nome da nossa religião.
Não podemos nunca esquecer de saudar, de forma respeitosa, a tronqueira e os exus guardiões, quando adentramos nos templos.