sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Quaresma para o UMBANDISTA

Repassando...
Mãe Maria

Umbanda e a Quaresma
Dentre os vários compromissos que os verdadeiros Umbandistas devem ter para com a religião que abraçaram, estão os de esclarecerem, difundirem e enaltecerem os reais valores, bases e diretrizes de nossa Sagrada Umbanda. Desta forma, observações, avaliações e conceitos devem alcançar e modificar determinadas condutas que, embora habituais, têm como base preceitos estranhos a nossa religião.
Neste contexto, reportemo-nos, suscintamente ao ato litúrgico católico nominado Quaresma. A Quaresma e o próprio nome revela, é um período de 40 dias que tem início após as festas ditas profanas (carnaval), culminando no domingo de páscoa. Tem como finalidade, segundo os católicos, preparar o indivíduo, mediante processos de conversão e penitência, para a expurgação de influências carnais e mundanas e a absorção de valores sagrados. Tal período litúrgico, afirmam alguns, se consolidou no final do século III, tendo sido citado no 1° Concílio (Assembléia) Ecumênico de Nicéia, no ano 325.
Não obstante respeitarmos esta prática religiosa, própria dos católicos, devemos ter em mente que tal habitualidade pertence ao catolicismo, e não a Umbanda. E por quê então um número razoável de terreiros fecham suas portas, suspendendo as atividades espírito-caritativas durante este período ?
1° Influência dos tempos de Catolicismo:- muitas pessoas que hoje são dirigentes Umbandistas, no passado professavam a religião católica. Converteram-se à Umbanda, mas esqueceram-se de deixar na antiga religião preceitos próprios da mesma.
2° Justificação para longas férias: - encontram no período católico da Quaresma o meio ideal de justificarem sua vontade particular de descanso, de deleites materiais, sem serem alvos de críticas por estarem suspendendo atividade de auxílio espiritual aos necessitados, uma vez que a maioria não sabe o que é quaresma.
Os Umbandistas, consoante o que foi mencionado, devem ter consciência e convicção de que os terreiros são verdadeiros pronto-socorros espirituais e jamais poderão fechar suas portas a médiuns e assistentes. Ou será que a tristeza, a frustração, as demandas, as doenças, e outras situações negativas deixam de afligir as pessoas durante a quaresma ?
Sejamos sensatos. A Umbanda é religião cristã. É fato. Não significa, no entanto, que tenhamos de aplicar atos litúrgicos alienígenas à mesma.
Se os católicos são de opinião que a melhor forma de expiar suas faltas é jejuar e fazer penitência, ficando na última semana dos 40 dias a chorar o sofrimento de Jesus, bom para eles.
Nós umbandistas somos sabedores que o Meigo Nazareno não quer que soframos por Ele, mas sim que coloquemos em prática suas lições de amor, fé, caridade e fraternidade, virtudes que pregou quando encarnado, como alicerces seguros para a evolução da humanidade.
Reverenciemos o Cristo da Galiléia com trabalhos espirituais, que não podem parar, pois que o socorro é sempre urgente. A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade. E caridade é Jesus em ação.
Saravá Umbanda !!!
Jornal Umbanda Sagrada
Alexandre Cumino


domingo, 19 de fevereiro de 2012

A QUARESMA SEGUNDO O ESPIRITISMO



A Quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja Católica, a Igreja Anglicana e algumas protestantes marcam para preparar os crentes para a grande festa da Páscoa.

Durante este período os seus fiéis são convidados a um período de penitência e meditação, por meio da prática do jejum, da caridade e da oração.

A Quaresma dura 40 dias.
Começa na quarta-feira de cinzas e termina no domingo de Ramos.
Ao longo deste período, sobretudo na liturgia do domingo,
é feito um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que pretendem viver como “pretensos” filhos de Deus.
Essa também é uma época muito especial para o Plano Espiritual.
Afinal a Espiritualidade está sempre atenta a todas as possibilidades de ajuda, de resgate e de esclarecimento dos nossos irmãos desencarnados que estão passando por momentos de “loucura”, “fuga de si mesmo”, “arrependimento”, enfim, que estão estagiando nas trevas criadas por eles mesmos.

É essa oportunidade que o Plano Superior aproveita para poder resgatar aqueles que tocados por esse período de penitência e meditação, se desvinculam de seu sofrimento íntimo e rogam por socorro.
Afinal de contas são milhares de cristãos, que nesse momento mudam a psicosfera do Plano Físico e Espiritual e tocam aqueles que lhes são caros e que estão estagiando nas zonas umbralinas, e são esses últimos os mais beneficiados por esse recolhimento, porque eles ficam mais suscetíveis aos socorristas de todas as horas.

É por esse e por vários outros motivos que toda religião ou crença tem seu valor, sua necessidade de existir e todos estão certos dentro do que acreditam.

E como o nosso Pai Maior não nos desampara em momento algum, a sua misericórdia chega através das mãos daqueles que nos possam atingir.

A CARIDADE É A ESSÊNCIA DE TUDO!!!Devemos ter sempre a fraternidade em nossos lábios e aproveitar a época oportuna e orar pela humanidade.

Se já o fazemos, continuemos com nossas preces nos unindo agora aos nossos irmãos de outras religiões para que o amor esteja sempre presente em nossos corações.

"O objetivo da religião é conduzir o homem a Deus; ora, o homem não chega a Deus senão quando está perfeito; portanto, toda religião que não torna o homem melhor, não atinge seu objetivo;"
Evangelho Segundo o Espiritismo - capítulo VIII


FONTE: Baseado em artigo publicado no Blog Ensaios Espíritas

Sobre o Carnaval


 PEDRO HERBERT C. ONOFRE
de Ribeirão Preto, SP

Embora o Carnaval já tenha passado, é muito freqüente a pergunta: “o que o Espiritismo acha desta festa popular?” Na verdade o Espiritismo significa o estudo do Espírito e por conseqüência a sua relação com o meio, inúmeros temas do nosso cotidiano não foram abordados diretamente por Kardec, até mesmo pela inexistência dos mesmos na época da codificação, no entanto, sabendo que o conhecimento e os costumes não param o próprio Kardec anteviu que outros conceitos se formariam. Estes conceitos podem ser chamados de espíritas quando vão de encontro às bases da codificação.
Em relação aos temas polêmicos haverá sempre o não entendimento da essência espírita e por isso haverá opiniões divergentes. Vamos colocar alguns pontos para que se possa refletir sobre o período que passou. O Carnaval tem sua origem nas festas do antigo Egito em devoção ao deus Osíris. Festas periódicas que também ocorriam na Grécia e Roma. Na versão mais moderna o Carnaval se consolidou com a festa que antecedia 40 dias da quaresma - um período em que era comum o jejum e adoração aos deuses.. Carnaval significa: “carne pode” se estendesse para gula pode, música pode, sexo pode, dança pode, enfim aos prazeres da “carne”, entendido por Kardec como os prazeres do Espírito numa condição inferior.
Cada nação tinha a característica mais marcante. No Brasil o Carnaval chegou em 1641 - foi uma semana de comemoração a D. João VI e pouco a pouco a comemoração anual foi se consolidando no calendário. Muitos anos se passaram os conceitos religiosos mudaram, a civilização é dominante, as regras sociais avançaram, mas a expressão “tudo pode” ainda se adequa perfeitamente a esta festa no nosso país.
Assim como antes, o Carnaval ganha características regionais, ritmos variados, expressões distintas, no entanto os ingredientes que compõem esta época, dita tão alegre, são os mesmos: exibição de corpos que impressionam fortemente os impulsos humanos, porque não dizer impulsos animais, a sedução é temática constante, a exposição do magnífico corpo humano a situações extremas de resistência, a ilusão da riqueza, do poder e do luxo. O alcoolismo, o tabagismo, as drogas ilícitas completam o tempero - parece que todos podem se entregar aos prazeres freados pela sociedade durante os outros 360 dias do ano. Ainda há aqueles que adiam ou esquecem seus problemas, afinal é Carnaval - o comércio pára, a indústria pára, a escola pára, até alguns Centros Espíritas param, para que os foliões satisfaçam a sede do prazer.
O Espiritismo esclarece que o pensamento altera o meio, atrai pensamentos semelhantes. Por que o Espiritismo será a base da mudança no planeta? - porque promoverá uma silenciosa revolução na humanidade - a revolução do amor - despertará os valores morais estimulando, levando pessoas a pensarem com otimismo, com tolerância, com amor e assim mudaremos a atmosfera, ela ficará suave como é a nossa constituição íntima. Agora podemos imaginar como fica esta atmosfera quando milhões e milhões de pessoas estão sintonizadas na sedução, sexo desvairado, e todos outros fatores que relatamos.
A televisão se rende e leva as festas carnavalescas como ponto alto em sua programação influenciando, ainda mais, as mentes invigilantes. Até as campanhas bem intencionadas contribuem para esta realidade - os adolescentes e todos escutam que no Carnaval todos devem usar camisinha - mostre que você cresceu - qual a mensagem que fica retida na frágil imaginação? no Carnaval está liberado? A tônica faz que muitos sintonizem nas vibrações grosseiras oferecendo campo para a aproximação e ligação com Espíritos sedutores e mal intencionados. Como esquecer de uma das lições da coleção André Luiz, em que o autor descreve a migração de falange de Espíritos trevosos, mais parecendo sombras se aproximarem das cidades brasileiras em um carnaval? Como diz André Luiz o ar fica irrespirável.
Dadas estas considerações o que podemos concluir é que o Espiritismo acha do Carnaval? Não acha nada - esclarece quais são as conseqüências dos atos, deixando para nós escolhermos os caminhos. Alguém convida para um baile. Pode ser perguntado - o que vou encontrar num baile, como estará o ambiente? E para sentirmos o que isto pode significar vamos trazer para impressões visuais e comparar. Se alguém diz tem uma árvore muito boa em um bairro tal. O fruto dela é delicioso. Sabendo que neste bairro há criminosos, que há grupos de drogados, há prostituição você iria para esse bairro mesmo se sua intenção era só pegar a fruta? Se arriscaria para pegar algo tão inofensivo? Pois bem, nos bailes de Carnaval não há como não ter a presença de Espíritos encarnados e desencarnados com mentes muito poluídas, transformando um ambiente asfixiante para aquele que já passou a sentir o ar do equilíbrio. Há alguns que dizem: participei das festas para dar meu testemunho, numa técnica muito comum, a da justificativa para os atos. Testemunho para que? Para quem está alcoolizado, para os interessados no sexo irresponsável, para os que querem e são autorizados a satisfazer suas paixões mais intrínsecas? Ao se sentir atraído por uma festa assim cabe um momento para pensar: quais são as verdadeiras intenções? O que se está buscando na realidade?
É claro que há o outro lado também. Há uma lição belíssima no “Evangelho Segundo o Espiritismo” chamada o homem no mundo, do autor autonomeado “um Espírito protetor”, nos lembra que fomos chamados a entrar em contato com Espíritos de natureza diferentes, que o enclausuramento não é medida de evolução. Haverá situações em que festas, badalações estarão presentes e a negação constante impedirá o convívio com aqueles que se relacionam. Há festa de carnaval menos agressivas, e sempre valerá a análise da situação. Recordemos o último parágrafo: é importante não ferir qualquer pessoa, incluindo constrangimento. Outro ponto para refletir é: o que elegemos os fatores que caracterizam a felicidade, O que eu preciso fazer para ser feliz. Quanto mais grosseiros são estes fatores maior o trabalho no caminho da conquista interior. Para concluir lembramos como o planeta já está em processo de mudança, há muitas pessoas que aproveitam este feriado para promover encontros como a CONRESPI. Estes encontros e os trabalhos nos Centros oferecem material humano necessários para as atividades dos Espíritos Superiores numa época tão atribulada.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Na Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos…

Repassando do Jornal, minha Umbanda  de mãe Monica Caraccio

Na Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos…


Axé pessoal. Quero chamar a atenção para um texto que meses atrás publiquei no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, sob o titulo “FALA agente ativo da magia” de Joseph KI- Zerbo (Coordenador do livro “História geral da África”, volume 1 produzido pela UNESCO). Percebam a importância da obra, o nível cultural do texto, do escritor e ainda a oportunidade de um conhecimento nato das tradições africanas, ‘saindo’ da psicografia ou da orientação espiritual e ‘entrando’ em um nível acadêmico que percorre o mundo inteiro.
Vale salientar que quando nos referimos às tradições africanas, falamos de nossas origens inclusive religiosas, na qual a Umbanda, os Pretos Velhos, os Orixás e toda nossa ancestralidade transcorrem. Portanto, uma leitura como essa, mais que conhecer a África ou uma tradição, é conhecer alguns fundamentos da Umbanda e como nosso espírito deve se comportar para estar em harmonia com nossa ancestralidade.
Boa leitura a todos e observem com atenção o olhar para a magia, a importância da fala e a forma que a mentira é caracterizada. Percebam que a Umbanda tem esses fundamentos em sua doutrina, afinal, para a Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos, nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus, a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas  e a mentira uma verdadeira lepra moral.
  -
“A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não é o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitem, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente” (Tierno Bokar)
***

A fala, agente ativo da magia-

-
História Geral da África- Metodologia e Pré- História da África – Volume I
de J. KI- Zerbo (Coordenador do Volume) Ática – Unesco
Deve-se ter em mente que, de maneira geral, todas as tradições africanas postulam uma visão religiosa do mundo. O universo visível é concebido e sentido como o sinal, a concretização ou o envoltório de um universo invisível e vivo, constituído de forças em perpétuo movimento. No interior dessa vasta unidade cósmica, tudo se liga, tudo é solidário, e o comportamento do homem em relação a si mesmo e em relação ao mundo que o cerca (mundo mineral, vegetal, animal e a sociedade humana) será objeto de uma regulamentação ritual muito precisa cuja forma pode variar segundo as etnias ou regiões.
A violação das leis sagradas causaria uma perturbação no equilíbrio das forças que se manifestaria em distúrbios de diversos tipos. Por isso a ação mágica, ou seja, a manipulação das forças, geralmente almejava restaurar o equilíbrio perturbado e restabelecer a harmonia, da qual o Homem, como vimos, havia sido designado guardião por seu Criador.
Na Europa, a palavra “magia” é sempre tomada no mau sentido, enquanto que na África designa unicamente o controle das forças, em si uma coisa neutra que pode se tomar benéfica ou maléfica conforme a direção que se lhe dê. Como se diz: “Nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus”.
A magia boa, a dos iniciados e dos “mestres do conhecimento”, visa purificar os homens, os animais e os objetos a fim de repor as forças em ordem. E aqui é decisiva a força da fala.
Assim como a fala divina de Maa Ngala* animou as forças cósmicas que dormiam, estáticas, em Maa, assim também a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas. Mas para que a fala produza um efeito total, as palavras devem ser entoadas ritmicamente, porque o movimento precisa de ritmo, estando ele próprio fundamentado no segredo dos números. A fala deve reproduzir o vaivém que é a essência do ritmo.
Nas canções rituais e nas fórmulas encantatórias, a fala é, portanto, a materialização da cadência. E se é considerada como tendo o poder de agir sobre os espíritos, é porque sua harmonia cria movimentos, movimentos que geram forças, forças que agem sobre os espíritos que são, por sua vez, as potências da ação.
Na tradição africana, a fala, que tira do sagrado o seu poder criador e operativo, encontra-se em relação direta com a conservação ou com a ruptura da harmonia no homem e no mundo que o cerca.
Por esse motivo a maior parte das sociedades orais tradicionais considera a mentira uma verdadeira lepra moral. Na África tradicional, aquele que falta à palavra mata sua pessoa civil, religiosa e oculta. Ele se separa de si mesmo e da sociedade. Seria preferível que morresse, tanto para si próprio como para os seus.
O chantre do Komo Dibi de Kulikoro, no Mali, cantou em um de seus poemas rituais:
“A fala é divinamente exata,
convém ser exato para com ela”. 
“A língua que falsifica a palavra
vicia o sangue daquele que mente.”
-
O sangue simboliza aqui a força vital interior, cuja harmonia é perturbada pela mentira. “Aquele que corrompe sua palavra, corrompe a si próprio”, diz o adágio. Quando alguém pensa uma coisa e diz outra, separa-se de si mesmo: Rompe a unidade sagrada, reflexo da unidade cósmica, criando desarmonia dentro e ao redor de si.
Agora podemos compreender melhor em que contexto mágico-religioso e social se situa o respeito pela palavra nas sociedades de tradição oral, especialmente quando se trata de transmitir as palavras herdadas de ancestrais ou de pessoas idosas. O que a África tradicional mais preza é a herança ancestral. O apego religioso ao patrimônio transmitido exprime-se em frases como: “Aprendi com meu Mestre”, “Aprendi com meu pai”, “Foi o que suguei no seio de minha mãe”.

Na Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos…

Repassando do Jornal, minha Umbanda  de mãe Monhica Caraccio

Na Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos…


Axé pessoal. Quero chamar a atenção para um texto que meses atrás publiquei no JUCA – Jornal de Umbanda Carismática, sob o titulo “FALA agente ativo da magia” de Joseph KI- Zerbo (Coordenador do livro “História geral da África”, volume 1 produzido pela UNESCO). Percebam a importância da obra, o nível cultural do texto, do escritor e ainda a oportunidade de um conhecimento nato das tradições africanas, ‘saindo’ da psicografia ou da orientação espiritual e ‘entrando’ em um nível acadêmico que percorre o mundo inteiro.
Vale salientar que quando nos referimos às tradições africanas, falamos de nossas origens inclusive religiosas, na qual a Umbanda, os Pretos Velhos, os Orixás e toda nossa ancestralidade transcorrem. Portanto, uma leitura como essa, mais que conhecer a África ou uma tradição, é conhecer alguns fundamentos da Umbanda e como nosso espírito deve se comportar para estar em harmonia com nossa ancestralidade.
Boa leitura a todos e observem com atenção o olhar para a magia, a importância da fala e a forma que a mentira é caracterizada. Percebam que a Umbanda tem esses fundamentos em sua doutrina, afinal, para a Umbanda, assim como afirmam os Pretos Velhos, nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus, a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas  e a mentira uma verdadeira lepra moral.
  -
“A escrita é uma coisa, e o saber, outra. A escrita é a fotografia do saber, mas não é o saber em si. O saber é uma luz que existe no homem. A herança de tudo aquilo que nossos ancestrais vieram a conhecer e que se encontra latente em tudo o que nos transmitem, assim como o baobá já existe em potencial em sua semente” (Tierno Bokar)
***

A fala, agente ativo da magia-

-
História Geral da África- Metodologia e Pré- História da África – Volume I
de J. KI- Zerbo (Coordenador do Volume) Ática – Unesco
Deve-se ter em mente que, de maneira geral, todas as tradições africanas postulam uma visão religiosa do mundo. O universo visível é concebido e sentido como o sinal, a concretização ou o envoltório de um universo invisível e vivo, constituído de forças em perpétuo movimento. No interior dessa vasta unidade cósmica, tudo se liga, tudo é solidário, e o comportamento do homem em relação a si mesmo e em relação ao mundo que o cerca (mundo mineral, vegetal, animal e a sociedade humana) será objeto de uma regulamentação ritual muito precisa cuja forma pode variar segundo as etnias ou regiões.
A violação das leis sagradas causaria uma perturbação no equilíbrio das forças que se manifestaria em distúrbios de diversos tipos. Por isso a ação mágica, ou seja, a manipulação das forças, geralmente almejava restaurar o equilíbrio perturbado e restabelecer a harmonia, da qual o Homem, como vimos, havia sido designado guardião por seu Criador.
Na Europa, a palavra “magia” é sempre tomada no mau sentido, enquanto que na África designa unicamente o controle das forças, em si uma coisa neutra que pode se tomar benéfica ou maléfica conforme a direção que se lhe dê. Como se diz: “Nem a magia nem o destino são maus em si. A utilização que deles fazemos os tornam bons ou maus”.
A magia boa, a dos iniciados e dos “mestres do conhecimento”, visa purificar os homens, os animais e os objetos a fim de repor as forças em ordem. E aqui é decisiva a força da fala.
Assim como a fala divina de Maa Ngala* animou as forças cósmicas que dormiam, estáticas, em Maa, assim também a fala humana anima, coloca em movimento e suscita as forças que estão estáticas nas coisas. Mas para que a fala produza um efeito total, as palavras devem ser entoadas ritmicamente, porque o movimento precisa de ritmo, estando ele próprio fundamentado no segredo dos números. A fala deve reproduzir o vaivém que é a essência do ritmo.
Nas canções rituais e nas fórmulas encantatórias, a fala é, portanto, a materialização da cadência. E se é considerada como tendo o poder de agir sobre os espíritos, é porque sua harmonia cria movimentos, movimentos que geram forças, forças que agem sobre os espíritos que são, por sua vez, as potências da ação.
Na tradição africana, a fala, que tira do sagrado o seu poder criador e operativo, encontra-se em relação direta com a conservação ou com a ruptura da harmonia no homem e no mundo que o cerca.
Por esse motivo a maior parte das sociedades orais tradicionais considera a mentira uma verdadeira lepra moral. Na África tradicional, aquele que falta à palavra mata sua pessoa civil, religiosa e oculta. Ele se separa de si mesmo e da sociedade. Seria preferível que morresse, tanto para si próprio como para os seus.
O chantre do Komo Dibi de Kulikoro, no Mali, cantou em um de seus poemas rituais:
“A fala é divinamente exata,
convém ser exato para com ela”. 
“A língua que falsifica a palavra
vicia o sangue daquele que mente.”
-
O sangue simboliza aqui a força vital interior, cuja harmonia é perturbada pela mentira. “Aquele que corrompe sua palavra, corrompe a si próprio”, diz o adágio. Quando alguém pensa uma coisa e diz outra, separa-se de si mesmo: Rompe a unidade sagrada, reflexo da unidade cósmica, criando desarmonia dentro e ao redor de si.
Agora podemos compreender melhor em que contexto mágico-religioso e social se situa o respeito pela palavra nas sociedades de tradição oral, especialmente quando se trata de transmitir as palavras herdadas de ancestrais ou de pessoas idosas. O que a África tradicional mais preza é a herança ancestral. O apego religioso ao patrimônio transmitido exprime-se em frases como: “Aprendi com meu Mestre”, “Aprendi com meu pai”, “Foi o que suguei no seio de minha mãe”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

4 Leis da Espiritualidade

Repassando...


As 4 Leis da Espiritualidade ensinadas na Índia

A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“.

Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“.

Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, ele termina“.

Simplesmente assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.