segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ANIVERSÁRIO DA UMBANDA

Comemora-se, hoje, dia 15 de novembro, o DIA DA UMBANDA. Esse dia nos remete à lembrança alegre do marco no espiritualismo, quando o Caboclo das Sete Encruzilhadas, por determinação do Alto, instaura, organiza e aperfeiçoa o espiritualismo que operava, naquela época, por meio de um mediunismo sem doutrina e disciplina, dando início ao Movimento Religioso de Umbanda. Essa data, portanto, comemora a fundação da Umbanda como Movimento Religioso voltado para a religação do homem com Deus, pelo conhecimento, culto e evangelho.

Infelizmente, apesar dos esforços do Plano Espiritual para elevar o padrão vibratório espiritual dos umbandistas, ainda encontramos, com tristeza, Casas que se dizem de Umbanda, que carecem da falta de doutrina e evangelho, com uma prática infantil de um mediunismo carregado de excessos anímicos fantasiosos, com matanças de animais em seus cultos e ainda arraigados à superstições e crendices. Acredito necessárias ás afinidades e ao momento ascensional evolutivo de alguns irmãos, portanto dignas de respeito e compreensão, mas que nada têm a ver com a Umbanda fundada pelo Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Ficou claro, para quem bem queira entender, soprando da frente a bruma da vaidade, do orgulho, do amor próprio, etc..., que a Umbanda, conforme a implantou o Caboclo das Sete Encruzilhadas no Brasil, comporta avanços no seu entendimento, e a diversidade de escolas doutrinarias, pois ela é uma religião adogmática e aberta a vários tipos de consciências evolutivas. O que nela, na nossa amada Umbanda, não comporta é a permanência na ignorância, nos atavios, crendices e vaidades, pois, de acordo com o Caboclo das Sete Encruzilhadas ela é “a manifestação do Espírito para a Caridade. Não cobrar, não matar, vestir o branco, evangelizar e utilizar as energias da natureza”.

A Umbanda é cristã e, portanto, nela age Jesus sempre e a todo o tempo. As Sagradas Vibrações regidas pelos Orixás, que a Umbanda cultua, são vibrações que emanam das mãos do Cristo Planetário, que, no caso do Planeta Terra, é Jesus Cristo.
Por isso falar de Umbanda sem Jesus é falar de uma seita feiticista e atávica que nada tem a ver com aquela trazida pelo Cab. das Sete Encruzilhadas. O Evangelho do Cristo é o instrumento máximo de reforma íntima e Caminho seguro para a frente e para o Alto, e a Umbanda nasceu para ser, por meio de seus Orixás e Guias, arauto solene desse Evangelho libertador.

Umbanda não é mediunismo, o mesmo é um importante instrumento através do qual ouvimos os nossos irmãos do mundo maior, a nos orientar para o caminho de ascensão e crescimento. Qualquer papel contrário em termos mediúnico trata-se, ou de mistificação por Entidades das Sombras ou psicosomatismo anímico de médiuns sem doutrina e disciplina.

No Livro dos Médiuns, o Espírito da Verdade nos alerta solenemente a respeito da função do mediunato quando nos diz, no cap.XXVII, item 303: “ Os Espíritos vêm instruir-vos e guiar-vos na rota do bem e não na das honrarias e da fortuna ou para atender às vossas pequeninas paixões. Se jamais lhe pedissem futilidades ou o que seja além de suas atribuições, ninguém daria acesso aos Espíritos mistificadores. Do que se conclui que só é mistificado aquele que o merece.
Os Espíritos não estão incumbidos de vos instruir nas coisas deste mundo, mas de vos guiar com segurança naquilo que vos possa ser útil para o outro. Quando vos falam das coisas daqui é por considerarem isso necessário, mas não porque o pedis. Se quiserdes ver nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então sereis mistificados.
Se bastasse aos homens dirigir-se aos Espíritos para tudo saberem, perderiam o livre-arbítrio e sairiam dos desígnios traçados por Deus para a Humanidade. O homem deve agir por si mesmo. Deus não envia os Espíritos para lhes aplainarem a rota da vida material, mas para lhes prepararem a do futuro.”

Isso é de suma importância para nós, adeptos da Umbanda, pois somos também espíritas cujo chão, a base, é o conhecimento racional e científico, e ninguém melhor que Allan Kardec pra nos dar esse suporte, lembrando que, assim como Jesus não é propriedade de nenhuma religião cristã, Kardec não é propriedade de nenhuma organização espírita. A nossa fé não pode ser infantil e vazia, pois, com certeza, um dia nos evadimos para algo mais concreto e preenchedor do vazio de Deus e de conhecimento sobre nós mesmos e sobre a nossa vida pós-sepultura. Infelizmente, o fato da permanência na ignorância, afeitos a crendices, de grupos e dirigentes que se dizem umbandista, provocam a evasão de muitos e muitos “umbandistas” para as seitas protestantes, pela única razão de terem encontrado nessa “umbanda” apenas uma fé infantil e inútil, em supostos mediunismos, e em crendices e superstições que, momentaneamente, enchem os olhos, mas não preenchem o coração.

Ontem estivemos nas festividades comemorativas dos 102 anos de Umbanda que aconteceu na União Espiritista de Umbanda do Brasil UEUB. Foi uma solenidade de muita beleza e emoção. O congraçamento dos diversos Templos Umbandistas, inclusive o Cruzeiro da Luz, cada um com sua diversidade, mas unidos no essencial que é a Umbanda do Cab. das Sete Encruzilhadas. Não é a diversidade de ritos ou escolas doutrinárias seguidas que atrapalha ou cria cisões, é, sim, a vaidade e o orgulho de querer ser o melhor ou o mais importante, ou, o que é pior, a luta para permanecer na ignorância por conveniência ou interesse próprio.

O Umbandista não é o participante de gueto onde pode dar vazão ás suas sandices, vaidades e carências de atenção e afetividade. Ele é uma célula de um mesmo corpo, que embora diferentes e formando órgãos diversos, são necessárias à formação do corpo com um todo, que no caso, é o Movimento Umbandista.

Nessa comemoração, esse era o sentimento que me tomou: irmãos de diversos Templos, com seus rituais, escolas doutrinárias, e atividades específicas, unidos pelo mesmo ideal e pela mesma fé, no cumprimento da mesma missão, a da Caridade, que quer dizer AMOR. Isso significa que a Umbanda tem a missão de anunciar, ensinar e vivenciar o Evangelho do Cristo em sua intensidade, anunciando o Reino de Deus, que está dentro de cada um, na vivência do amor, pois Deus é Amor.

O que é anunciar o Evangelho? É ensinar que Jesus é Amor e é Caminho. Caminhar em Jesus e com Jesus é caminhar sob a Lei de Deus, na busca do aprimoramento e crescimento espiritual.

E qual é a Lei de Deus a vivenciarmos e que os Orixás, Guias e Mentores têm a missão de ensinar? Ouçamos Jesus nos dizer qual é, no Evangelho de Mateus, cap. 22, versículos 36 a 40: “Mestre, qual é o grande mandamentos da Lei? Jesus declarou-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu pensamento. Eis o grande, o primeiro mandamento. Um segundo é igualmente importante: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

Aí está a missão desse trabalho de parceria entre médiuns e Espíritos (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Exus), fazer concreta essa Lei, seja através dos bons conselhos e orientações, seja através do uso disciplinado e sério das energias em favor da cura, limpeza e do alívio das dores do próximo.

Se não tiver como finalidade o Reino de Deus, que é a instauração de Sua Lei nos corações, Lei essa que é o amor concreto e vivenciado, a Umbanda perde todo o seu status espiritual, pois foge da finalidade para a que foi criada, “ser a manifestação do espírito para a Caridade”, cujo fruto, é o fruto do espírito, conforme nos ensina o Apóstolo Paulo na sua Epístola aos Gálatas cap. 4, versículo 22: “Mas eis o fruto do espírito: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, doçura, domínio de si mesmo; contra essas coisas não há lei.” Acredito que essa é a verdadeira Lei Sagrada de Umbanda.

Está de parabéns a União Espiritista de Umbanda do Brasil - UEUB, tendo a frente o seu insigne presidente, o pai Pedro Miranda, pelo belo trabalho de confraternização.

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