quarta-feira, 24 de novembro de 2010

VELAS

O ato de acender uma vela transforma os estímulos visuais da luz da chama em um código que ativa em nossa mente a força do elemento ígneo, o fogo, trazendo com isso o despertar de nossas lembranças mais antigas, de nossa ancestralidade espiritual.

Por exalar o calor, símbolo da vida, a chama da vela possui um amplo sentido, despertando nas pessoas esperança, fé e amor.
A chama da vela é capaz de irradiar ondas imperceptíveis aos nossos olhos, mas que fluem em determinada vibração. São ondas eletromagnéticas sutis, que geram magia sutil. Portanto, ao acender uma vela estaremos efetuando um ato magístico e enviando energias sutis ao Cosmo.
A vela é, com certeza, um dos símbolos mais representativos da Umbanda. Ela está presente no Congá, nos Pontos Riscados, nas oferendas e em quase todos os trabalhos de magia.
Quando um Umbandista acende uma vela, está abrindo uma porta interdimensiona l, e conscientemente poderá acessar a força de seus poderes mentais.
A vela funciona na mente das pessoas como um código mental. Os estímulos visuais captados pela luz da chama da vela acendem, na verdade, a fogueira interior de cada um, despertando a lembrança de um passado muito distante, onde seus ancestrais, sentados ao redor do fogo, tomavam decisões que mudariam o curso de suas vidas.
A vela desperta, nas pessoas que acreditam em sua força mágica, uma forte sensação de poder. Ela funciona como uma alavanca psíquica, despertando os poderes extra – sensoriais em estado latente.
Uma das várias razões da influência mística da vela na psique das pessoas é a sensação de que ela, através de sua chama, parece ter vida própria. Embora, na verdade, saibamos, através do ocultismo, que o fogo possui uma energia conhecida como espíritos do fogo ou salamandras.
Se uma pessoa usa suas forças mentais com a ajuda da magia das velas no sentido de ajudar alguém, irá receber em troca uma energia positiva; mas, se inverter o fluxo das energias psíquicas, utilizando – as para prejudicar qualquer pessoa, o retorno são sempre mais fortes, pois voltam acrescidas da energia de quem as recebeu.
Quando acendemos uma vela, a imantamos mentalmente com uma determinada intenção, acompanhada de sentimentos. A vela passa a ser uma fonte emissora repetitiva dessa intenção e sentimento, enquanto acesa. Ocorre por vezes, espíritos sofredores e necessitando de auxilio podem ali se chegarem, tanto para tentar absorver parte dessa emissão, ou na esperança que, se alguém conseguiu ali alguma ajuda ou alivio, poderiam eles também adquirir essa graça. Não que tenham más intenções, mas a simples presença deles, por estarem ainda em desequilíbrio, pode afetar a harmonia do ambiente. Portanto, é bem melhor evitar tal pratica do que estar sempre sujeito a doutrinar constantemente tais espíritos, visto que em nossa casa não é o local propicio para tal pratica caritativa, até por segurança. Explicasse aí as restrições feitas por parte da Espiritualidade que atua junto ao Espiritismo quanto a evocações com intenções de doutrinação em reuniões familiares. O acender velar é uma forma de evocação também.
As velas acesas fora de casa não trazem qualquer problemas de ordem espiritual. Nossos lares, desde que respeitando o mínimo de harmonia e equilíbrio, possuem uma proteção natural advinda da Espiritualidade, que impede o acesso de espíritos ainda em perturbação espiritual de qualquer nível.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ANIVERSÁRIO DA UMBANDA

Comemora-se, hoje, dia 15 de novembro, o DIA DA UMBANDA. Esse dia nos remete à lembrança alegre do marco no espiritualismo, quando o Caboclo das Sete Encruzilhadas, por determinação do Alto, instaura, organiza e aperfeiçoa o espiritualismo que operava, naquela época, por meio de um mediunismo sem doutrina e disciplina, dando início ao Movimento Religioso de Umbanda. Essa data, portanto, comemora a fundação da Umbanda como Movimento Religioso voltado para a religação do homem com Deus, pelo conhecimento, culto e evangelho.

Infelizmente, apesar dos esforços do Plano Espiritual para elevar o padrão vibratório espiritual dos umbandistas, ainda encontramos, com tristeza, Casas que se dizem de Umbanda, que carecem da falta de doutrina e evangelho, com uma prática infantil de um mediunismo carregado de excessos anímicos fantasiosos, com matanças de animais em seus cultos e ainda arraigados à superstições e crendices. Acredito necessárias ás afinidades e ao momento ascensional evolutivo de alguns irmãos, portanto dignas de respeito e compreensão, mas que nada têm a ver com a Umbanda fundada pelo Sr. Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Ficou claro, para quem bem queira entender, soprando da frente a bruma da vaidade, do orgulho, do amor próprio, etc..., que a Umbanda, conforme a implantou o Caboclo das Sete Encruzilhadas no Brasil, comporta avanços no seu entendimento, e a diversidade de escolas doutrinarias, pois ela é uma religião adogmática e aberta a vários tipos de consciências evolutivas. O que nela, na nossa amada Umbanda, não comporta é a permanência na ignorância, nos atavios, crendices e vaidades, pois, de acordo com o Caboclo das Sete Encruzilhadas ela é “a manifestação do Espírito para a Caridade. Não cobrar, não matar, vestir o branco, evangelizar e utilizar as energias da natureza”.

A Umbanda é cristã e, portanto, nela age Jesus sempre e a todo o tempo. As Sagradas Vibrações regidas pelos Orixás, que a Umbanda cultua, são vibrações que emanam das mãos do Cristo Planetário, que, no caso do Planeta Terra, é Jesus Cristo.
Por isso falar de Umbanda sem Jesus é falar de uma seita feiticista e atávica que nada tem a ver com aquela trazida pelo Cab. das Sete Encruzilhadas. O Evangelho do Cristo é o instrumento máximo de reforma íntima e Caminho seguro para a frente e para o Alto, e a Umbanda nasceu para ser, por meio de seus Orixás e Guias, arauto solene desse Evangelho libertador.

Umbanda não é mediunismo, o mesmo é um importante instrumento através do qual ouvimos os nossos irmãos do mundo maior, a nos orientar para o caminho de ascensão e crescimento. Qualquer papel contrário em termos mediúnico trata-se, ou de mistificação por Entidades das Sombras ou psicosomatismo anímico de médiuns sem doutrina e disciplina.

No Livro dos Médiuns, o Espírito da Verdade nos alerta solenemente a respeito da função do mediunato quando nos diz, no cap.XXVII, item 303: “ Os Espíritos vêm instruir-vos e guiar-vos na rota do bem e não na das honrarias e da fortuna ou para atender às vossas pequeninas paixões. Se jamais lhe pedissem futilidades ou o que seja além de suas atribuições, ninguém daria acesso aos Espíritos mistificadores. Do que se conclui que só é mistificado aquele que o merece.
Os Espíritos não estão incumbidos de vos instruir nas coisas deste mundo, mas de vos guiar com segurança naquilo que vos possa ser útil para o outro. Quando vos falam das coisas daqui é por considerarem isso necessário, mas não porque o pedis. Se quiserdes ver nos Espíritos os substitutos dos adivinhos e dos feiticeiros, então sereis mistificados.
Se bastasse aos homens dirigir-se aos Espíritos para tudo saberem, perderiam o livre-arbítrio e sairiam dos desígnios traçados por Deus para a Humanidade. O homem deve agir por si mesmo. Deus não envia os Espíritos para lhes aplainarem a rota da vida material, mas para lhes prepararem a do futuro.”

Isso é de suma importância para nós, adeptos da Umbanda, pois somos também espíritas cujo chão, a base, é o conhecimento racional e científico, e ninguém melhor que Allan Kardec pra nos dar esse suporte, lembrando que, assim como Jesus não é propriedade de nenhuma religião cristã, Kardec não é propriedade de nenhuma organização espírita. A nossa fé não pode ser infantil e vazia, pois, com certeza, um dia nos evadimos para algo mais concreto e preenchedor do vazio de Deus e de conhecimento sobre nós mesmos e sobre a nossa vida pós-sepultura. Infelizmente, o fato da permanência na ignorância, afeitos a crendices, de grupos e dirigentes que se dizem umbandista, provocam a evasão de muitos e muitos “umbandistas” para as seitas protestantes, pela única razão de terem encontrado nessa “umbanda” apenas uma fé infantil e inútil, em supostos mediunismos, e em crendices e superstições que, momentaneamente, enchem os olhos, mas não preenchem o coração.

Ontem estivemos nas festividades comemorativas dos 102 anos de Umbanda que aconteceu na União Espiritista de Umbanda do Brasil UEUB. Foi uma solenidade de muita beleza e emoção. O congraçamento dos diversos Templos Umbandistas, inclusive o Cruzeiro da Luz, cada um com sua diversidade, mas unidos no essencial que é a Umbanda do Cab. das Sete Encruzilhadas. Não é a diversidade de ritos ou escolas doutrinárias seguidas que atrapalha ou cria cisões, é, sim, a vaidade e o orgulho de querer ser o melhor ou o mais importante, ou, o que é pior, a luta para permanecer na ignorância por conveniência ou interesse próprio.

O Umbandista não é o participante de gueto onde pode dar vazão ás suas sandices, vaidades e carências de atenção e afetividade. Ele é uma célula de um mesmo corpo, que embora diferentes e formando órgãos diversos, são necessárias à formação do corpo com um todo, que no caso, é o Movimento Umbandista.

Nessa comemoração, esse era o sentimento que me tomou: irmãos de diversos Templos, com seus rituais, escolas doutrinárias, e atividades específicas, unidos pelo mesmo ideal e pela mesma fé, no cumprimento da mesma missão, a da Caridade, que quer dizer AMOR. Isso significa que a Umbanda tem a missão de anunciar, ensinar e vivenciar o Evangelho do Cristo em sua intensidade, anunciando o Reino de Deus, que está dentro de cada um, na vivência do amor, pois Deus é Amor.

O que é anunciar o Evangelho? É ensinar que Jesus é Amor e é Caminho. Caminhar em Jesus e com Jesus é caminhar sob a Lei de Deus, na busca do aprimoramento e crescimento espiritual.

E qual é a Lei de Deus a vivenciarmos e que os Orixás, Guias e Mentores têm a missão de ensinar? Ouçamos Jesus nos dizer qual é, no Evangelho de Mateus, cap. 22, versículos 36 a 40: “Mestre, qual é o grande mandamentos da Lei? Jesus declarou-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu pensamento. Eis o grande, o primeiro mandamento. Um segundo é igualmente importante: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.”

Aí está a missão desse trabalho de parceria entre médiuns e Espíritos (Caboclos, Pretos Velhos, Crianças e Exus), fazer concreta essa Lei, seja através dos bons conselhos e orientações, seja através do uso disciplinado e sério das energias em favor da cura, limpeza e do alívio das dores do próximo.

Se não tiver como finalidade o Reino de Deus, que é a instauração de Sua Lei nos corações, Lei essa que é o amor concreto e vivenciado, a Umbanda perde todo o seu status espiritual, pois foge da finalidade para a que foi criada, “ser a manifestação do espírito para a Caridade”, cujo fruto, é o fruto do espírito, conforme nos ensina o Apóstolo Paulo na sua Epístola aos Gálatas cap. 4, versículo 22: “Mas eis o fruto do espírito: amor, alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, doçura, domínio de si mesmo; contra essas coisas não há lei.” Acredito que essa é a verdadeira Lei Sagrada de Umbanda.

Está de parabéns a União Espiritista de Umbanda do Brasil - UEUB, tendo a frente o seu insigne presidente, o pai Pedro Miranda, pelo belo trabalho de confraternização.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Síndrome de Chefe

repassando...
Síndrome de Chefe.
O respeito com as diferenças começa dentro do Congá, parte 2.
Ainda seguindo o raciocínio onde pregamos que o respeito com as diferenças deve começar dentro do nosso terreiro, muitas vezes nos deparamos com o que eu chamo de "síndrome de chefe" ou melhor dizendo, uma doença que atinge aqueles que, cansados de receber ordens dos seus patrões na empresa onde trabalham, resolvem praticar um papel de patrão que nunca foi, dentro do terreiro, perante seus irmãos de corrente, sobretudo com os menos experientes.
O portador da síndrome de chefe, sob a desculpa de estar querendo ajudar a direção da casa, passa o trabalho todo atento as atitudes dos seus colegas, sempre pronto a desferir ríspidos corretivos, broncas e outras "cavaleirisses" (não se trata de um erro ortográfico, é "cavaleirisses" mesmo, de cavalo, não de cavalheiro). Em outras palavras, quer dar uma de chefe que nunca foi, aproveitando-se de sua possível condição de incorporado. Digo "possível" porque esta atitude não condiz com um Guia de Luz, e sim, está no ser errante, encarnados que somos todos.
Claro que a este mal não estão sujeitos apenas médiuns da corrente, mas também dirigentes e sacerdotes, que ao invés de ensinar de forma consciencial, prefere impor suas regras de maneira autoritária.
Este texto escrevi com o intuito de alertar, e claro, não adianta apenas apontar o erro sem dar uma opção de solução, caso contrário estaria repetindo aqui exatamente o que estou condenando.
O que devemos então fazer quando vemos alguma atitude que consideramos errada por parte de um irmão de corrente?
Primeiro: verifique se o ocorrido é realmente relevante, ou seja, se está atrapalhando o SEU trabalho.
Segundo: caso esteja, e/ou ofereça risco aos demais, ao contrário do portador da síndrome, não se dirija ao seu irmão para condená-lo, corrigi-lo e sim leve o caso para o sacerdote, mas leve na mesma hora, para que este possa resolver de imediato. (levar esta informação depois do ocorrido não resolve e é sinônimo de fofoca).
O sacerdote é o único que terá autoridade para orientar sem causar um mal estar entre você e seus irmãos.
Conviver em comunidade é uma arte, é difícil e requer auto crítica. Se desejamos ser médiuns de Umbanda, precisamos respeitar nossos irmãos de corrente e pensar no coletivo, precisamos lembrar que nessa religião não assistimos a missa e sim a celebramos junto com o padre, mas isso já é assunto pra outra oportunidade.