segunda-feira, 29 de março de 2010

SEXTA FEIRA DA PAIXÃO E CRISTO

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A PAIXÃO DE CRISTO

A Paixão de Cristo, de acordo com nossa cultura, extremamente influenciada pela visão judaico-católica, representa um dia de tristeza, de ações de “mea culpa”, onde todos, de alguma maneira se sentem um pouco ou muito, de Judas em si, culpado pela morte de Cristo na Cruz. As vertentes religiosas advindas dessa cultura predominante, nos querem fazer crer que Cristo morreu na cruz para nos redimir dos nossos pecados. Mas como então podemos ter o pecado original? Este somente como exemplo.
Na verdade a intenção dos defensores dessa estranha idéia é de criar, em todos nós, o sentimento de que somos culpados pelo sofrimento de Cristo, e que por isso devemos nos redimir de nossos pecados perante o Pai para que sejamos perdoados e podermos entrar no Reino dos Céus. Por isso é necessário um Deus vingativo e punitivo, pois não fazendo o que nos diz essas religiões estaremos condenados ao fundo do Inferno. Como poderíamos imaginar uma troca que já vai entrando em seu terceiro milênio continuar resgatando pecados tão mais recentes e diferentes daquilo que eram naquela época? Qual seria o Deus Tirânico que pediria a vida de seu filho mais querido em troca da salvação de nossos espíritos, que, segundo essas mesmas crenças, estão tão longe desse mesmo Deus?
Na verdade, o que Jesus veio nos trazer foi a capacidade de vermos a possibilidade de também desenvolvermos nossa Centelha Divina, atingindo ao final de nossas vidas encarnadas o nosso próprio estado Crístico. Foi a certeza de nossas reencarnações, passadas e futuras, e de que a todos nós nos é dado o poder de evoluir e atingir nossa plena luminosidade ao final de um certo número de vidas.
A primeira coisa que devemos lembrar é que na Umbanda não temos a figura do pecado e, portanto, também não temos a culpa. Temos na Umbanda é a responsabilidade pelos nossos atos. Por isso mesmo é que Cristo ao vir e morrer na cruz em um sacrifício ele veio nos mostrar que o Espírito será reencarnado para a continuidade de seu aprendizado. E isto é o ensinamento maior de Cristo. Morre o corpo denso, mas sobrevive o Espírito que é a forma mais sutil da Energia Vital, do Fluido Universal.
Assim, a ressurreição é uma garantia de que, a cada novo reencarnar, nossa evolução estará em um estado de maior elevação espiritual. O aparecimento de Cristo para Madalena e, posteriormente para seus apóstolos, ele vem nos mostrar a possibilidade de comunicação que temos com Espíritos e a verdade de eles voltarem à vida com a finalidade de dar continuidade ao processo de evolução. Sempre voltamos em condições de maior nível de evolução. O simbolismo da Paixão de Cristo enquanto uma forma de demonstrar que a ressurreição do Espírito. Quando se diz que Cristo veio para resgatar os pecados do mundo não significa que os pecados do mundo desapareceriam após sua vinda. Significa sim, que à medida que nossos espíritos forem aprendendo a sua doutrina, o seu Evangelho, estaremos mais evoluídos. Cristo por isso mesmo veio para nos mostrar que nesse mundo os Espíritos não vêm para sofrer ou pagar, mas para aprender e se reconciliar com suas vidas passadas. É um aprendizado de resignação e de fé. Teremos assim em vidas futuras a possibilidade de assumir as responsabilidades que tivemos em vidas passadas e aprender com o novo período de vida encarnada a superar aquelas que eram nossas deficiências espirituais. Nossa vida espiritual é uma espiral ascendente, rumo ao Fluido Universal Infinito, que é nossa Origem e nosso Destino, Deus.
O cumprimento da missão de Cristo enquanto filho de Deus, que veio como cordeiro de Deus para sacrificar-se pelo mundo, teve de contar, entre os personagens que participaram direta ou indiretamente de sua vida, com diferentes e importantes papéis entre eles. Assim, o fato dos sacerdotes hebreus terem tomado a atitude de entregar Jesus - o Cristo – nada mais fizeram do que aquilo que estava determinado. Quando Judas vai e entrega Cristo, está cumprindo uma das partes mais árduas da missão Crística: a de permitir que Cristo fosse preso, na calada da noite, para passar pelo seu Calvário e consumar sua missão.
Quando Jesus, ao expirar, pronuncia as palavras “Consumatun est” (está finalizado, está consumado) ele não está, como já vimos anteriormente referindo-se à finalização do sopro da vida naquele corpo denso – de Jesus – mas à missão de Cristificação de Jesus. Ali o homem deixa definitivamente de existir para passar a existir somente a Energia Crística, o Cristo.
Assim, a sexta feira da Paixão não pode ser vista como um momento de tristeza, mas de alegria; não de culpa mas de libertação pois foi exemplo maior de Jesus que nos demonstrou que o homem pode chegar até onde ele próprio chegou. Jesus veio nos ensinar isso, e conseguiu, pois se não o tivesse conseguido sua mensagem não estaria presente por mais de dois milênios e até hoje sem que tenhamos conseguir aprender em toda a profundidade seus ensinamentos. Essa é a nossa alegria que se consuma exatamente na sexta feira da Paixão.
Cristo nos ensina que teremos condições de superar nossas deficiências espirituais e, plenamente desenvolvidos, luminosos e sábios nos colocaremos frente a Deus. Ensina que temos salvação sim, que nenhum Espírito se perde nesse mundo, que nos elevaremos ao seu nível sim. Então esse é um momento que deveríamos comemorar as oportunidades que Jesus – o Cristo- nos veio trazer.
Ainda é um momento de alegria quando Cristo nos mostra que o Espírito é imortal, ao se mostrar aos seus discípulos como uma luz com forma de Jesus (perispírito), apenas aumenta sua materialidade a mandar que Tomé tocasse suas chagas. E por que Cristo se mostra sob a forma de Jesus? Porque somente assim os apóstolos poderiam reconhecê-lo. O que mais queremos para comemorar? Cristo nos mostrou o nível de evolução espiritual que poderemos chegar que é o de essência fluídica extremamente sutil, intocável, enfim plenamente luminoso e sábio.
Assim, quando Cristo veio há mais de 2000 anos, não veio apenas no sentido estrito de apagar os pecados da humanidade, pois, como vimos eles continuam a acontecer, mas veio no sentido amplo de nos mostrar o caminho da nossa evolução. Demonstremos nosso agradecimento, nossa alegria e nossa compreensão sobre a missão Crística de Jesus na terra.
Na Umbanda podemos demonstrar toda essa compreensão da missão Crística ao compreendermos a missão de nossa Religião na Terra: a manifestação do Espírito para a prática da Caridade. Pretos Velhos, Caboclos, Exus, Crianças e outras entidades de Luz, que se apresentam para os trabalhos na Umbanda, ajudam-nos a obter essa compreensão através dos seus passes de harmonização, conselhos, de seu apoio nos momentos difíceis e sempre servindo para nós como exemplos de Espíritos em estagio superior de evolução.
"DEUS É TÃO BOM QUE MESMO AQUELES QUE NÃO ACREDITAM EM DEUS UM DIA VERÃO A DEUS."

Mãe Maria e Pai Solano
Casa Branca de Oxalá

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