sexta-feira, 17 de julho de 2009

Cartilha

PERGUNTA: A incumbência de dirigente de Umbanda, como denominam
carinhosamente de Pai ou Mãe de terreiro, é carma ou mérito?

maioria dos presentes que ganhamos tem o papel do pacote mais bonito do que o conteúdo. E esse é um deles.O médium que recebe da espiritualidade a missão de dirigir um agrupamento de outros médiuns, o faz, em primeiro lugar por necessidade de evolução e em segundo lugar porque possui a confiança daqueles que lhe dão tal incumbência.Vamos falar daqueles que receberam a missão do plano
espiritual, projeto realizado antes de sua encarnação na terra e
não daqueles dirigentes " feitos" em cursos.Tarefa mediúnica das mais difíceis e que exige dedicação total daquele espírito reencarnado, além de dose extrema de paciência, perseverança, humildade e amor. Mas ao mesmo tempo, exige dele também pulso firme e forte personalidade para impossibilitar que sua colheita seja prejudicada pela invasão das pestes.A dificuldade de cumprir a tarefa de dirigente sempre se acentua dentro do terreiro, com os médiuns e muito pouco na caridade com o povo. Todo médium de tarefa, é um ser encarnado para curar seu espírito endividado e o terreiro é o hospital onde vai se internar por um longo tempo de sua vida na terra. Sabemos que a maioria dos pacientes são impacientes, não é mesmo? E aí é que complica!O dirigente também não deixa de ser um doente que além de se tratar, agora pode estagiar ajudando aos médiuns de sua corrente " hospitalar". Isso não o coloca como um semi-deus perfeito do qual não se admitem mais erros, muito menos como alguém que tudo pode, em qualquer hora e em qualquer situação.Dele será exigido posturas mais firmes bem como entendimento mais apurado. Ele deverá se aprimorar constantemente com estudo e reforma íntima, exigindo da corrente igual compromisso. Tais posturas serão necessárias em função do tamanho de sua responsabilidade e dentre elas está a de cortar o mal pela raiz, priorizando sempre a corrente como um todo, sem privilégios a quem quer que seja.Ao assumir tal posto diante da espiritualidade, antes de
reencarnar, já estará consciente de que sua vida não será " comum" e que certamente terá que abdicar de muitas coisas materiais, em favor do lado espiritual.
O termo Pai e Mãe agracia o médium com a postura de se colocar como
tal, amparando, educando e auxiliando a corrente como verdadeiros
filhos de seu coração. Tarefa mais difícil ainda, pois esses "
filhos" não vieram de seu ventre e não nasceram ontem. São adultos,
viciados e com personalidade formada. Cada um com seus egos
aflorados, com suas necessidades de reformulação e o fato de
portarem a mediunidade, já os qualifica como devedores em
potencial.
E certamente, reeducar um adulto é muito mais difícil do que educar
uma criança. É pepino torto. Observo nos terreiros por onde ando
que muito se exige do dirigente e muito pouco se retribui. Falta
nos médiuns, desde respeito até aquilo que os deveria mover dentro
da corrente, que é amor. Humildade então, meus filhos, é coisa
rara. Em compensação sobra bajulação, geralmente usada como meio de
se fazer preferido na corrente.Todo aquele que não teve rédea firme
na infância para domar suas más tendências, vai chegar no terreiro
e expô-las de modo a perturbar a ordem do lugar. Hora e vez de
impor as leis que regem a Casa, independente do que possa pensar a
respeito disso, o médium em questão. Se mesmo indisciplinado, tiver
algo de humildade, vai receber o chamamento como aprendizado e ali
vai crescer, mas se pelo contrário, além da indisciplina prevalecer
nele a arrogância e o orgulho, acolherá como ofensa e infelizmente, o remédio é amargo para essa doença.A tarefa é tão árdua que muitos desistem na metade da caminhada, outros se corrompem, mas, ainda bem que
uma grande maioria volta à casa com sua coroa iluminada pela luz do dever cumprido e a estes,
o mérito de conseguir dar um salto em sua evolução.



Bater a cabeça: Esse é o ato de submissão em que nos abaixamos diante Deus e todos os orixás, pedindo sua proteção. O médium se abaixa e toca suavemente a testa no chão, sim suavemente, mostrando respeito pela terra que toca e sendo humilde ao se abaixar diante dos Orixás do Zeladores. Com a cabeça voltada e prostrada na toalha, também significa a solicitação da benção do seu pai espiritual e do seu orixá, significando num ato de humildade a obediência aos preceitos religiosos, devendo significar a aceitação desta casa e de seus mentores como seus condutores no caminho de Deus e de nossa religião.
As mãos voltadas com as palmas para cima, no mesmo nível que a cabeça, complementam o recebimento das emanações vibratórias positivas de Deus, dos orixás e de seus mentores espirituais.
Dizem que o ato de bater a cabeça, surgiu ainda na senzala, com os negros escravos. Sim com eles mesmos, dizem que como eles eram obrigados a reverenciar santos católicos, colocavam os assentamentos dos Orixás sob o altar dos santos católicos. Como não aceitavam estar acima da vibração dos Orixás, se deitavam no chão e encostavam a testa na terra, para estar no mesmo nível (altura) dos assentamentos, e como submissão encostavam a testa no chão pedindo-lhes a benção.
Em muitas casas, que não possuem um lugar reservado para os assentamentos, colocam os mesmos sob o altar, assim os Dirigentes e seus filhos batem a cabeça para pedir a benção a Deus e os Orixas regentes da casa.
Quando batemos a cabeça, encostamos o chacra frontal (testa), no chão, pedindo a benção a Deus, encostamos o canto direito da testa pedindo a benção a todos os Orixás e mentores da casa, encostamos o canto esquerdo da testa saudando as forças da casa (diretia e esquerda).

Paulo Ludogero

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