segunda-feira, 17 de novembro de 2008

TEXTO DE ALEXANDRE CUMINO

VALE A PENA LER E MEDITAR
MÃE MARIA

São Paulo, 15 de Novembro de 2008
Hoje a Umbanda comemora 100 anos de seu nascimento
E na História da Umbanda,
Encontramos seu primeiro escritor,
Falando sobre o que está no principio,
Zélio de Moraes,
Caboclo 7 Encruzilhadas e
Tenda Espirita Nossa Senhora da Piedade

Leal de Souza

O Espiritismo, A Magia e as Sete Linhas de Umbanda:
LEAL DE SOUZA E O PRIMEIRO LIVRO DE UMBANDA
Por Alexandre Cumino


O Espiritismo, A Magia e as Sete Linhas de Umbanda é o titulo do primeiro livro de Umbanda, publicado em 1933 por Leal de Souza. A primeira copia deste livro que chegou ás minhas mãos, foi presenteada por Pai Ronaldo Linares, explicando que a mesma havia sido entregue a ele por Zélia e Zilméia, era uma xérox do original presenteado pelo próprio Leal de Souza a Zélio de Moraes.


Leal de Souza era jornalista e poeta parnasiano era um intelectual em sua época, conviveu com personalidades como Olavo Bilac. Já era escritor consagrado com os títulos: O Álbum de Alzira – 1899, Bosque Sagrado – 1917, A Mulher na Poesia Brasileira – 1918, A Romaria da saudade – 1919, Canções Revolucionárias – 1923 e também o livro No Mundo dos Espíritos - 1925, que é uma coletânea de reportagens feitas para o Jornal A Noite, sobre o Espiritismo, entre estas reportagens aparecem pela primeira vez relatos de práticas Umbandistas e o registro da primeira visita de Leal de Souza, como repórter e espírita, à Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade.

Através do amigo e irmão:. Diamantino Fernades Trindade, Hanamatan (Autor dos livros Iniciação à Umbanda, História da Umbanda, Um ensaio de ecletismo e Umbanda Brasileira) que está escrevendo um livro sobre Leal de Souza, tomei conhecimento do nome completo (Antônio Eliezer Leal de Souza) e de mais e melhores fatos e detalhes da vida deste que foi o primeiro escritor de Umbanda. O que foi, entre outras coisas, uma novidade para mim é que Leal de Souza, falecido no dia 01/11/1948, está presente como um dos espíritos comunicantes na obra Antologia dos Imortais psicografado por Chico Xavier, 1963. Lembrando que Leal de Souza foi muito atuante no kardecismo, antes de tornar-se umbandista. Abaixo o texto de Antologia dos Imortais:

MORTE E REENCARNAÇÃO

Morrer!... Morrer!... A gente crê que esquece,
Pensa que é santo em paz humilde e boa,
Quando a morte, por fim, desagrilhoa
O coração cansado posto em prece.

Mas, aí de nós!... A luta reaparece...
A verdade é rugido de leoa...
A floração de orgulho cai à toa,
Por joio amargo na Divina Messe.

No castelo acordado da memória
Ruge o passado que nos dilacera,
Quando a lembrança é fel em dor suprema...

Sempre distante o céu envolto em glória,
Porquanto em nós ressurge a besta fera
Buscando, em novo corpo, nova algema.


Leal de Souza, torna-se médium de Umbanda, orientado por Zélio de Moraes, que o convida para dirigir a Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição, uma das sete tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.

Algo em torno de nove anos depois ele escreveria uma série de reportagens sobre Umbanda para o Jornal "Diário de Notícias", que anunciou no dia 8 de Novembro de 1932:

(...) Convidamos o Senhor Leal de Souza por ser ele um espírito tão sereno e imparcial que, exercendo até setembro do ano próximo findo o cargo de redator-chefe de "A Noite", nunca se valeu daquele vespertino para propagar a sua doutrina e sempre apoiou com entusiasmo as iniciativas católicas.
O Senhor Leal de Souza já era conhecido pelos seus livros, quando realizou o seu famoso inquérito sobre o espiritismo: "No mundo dos Espíritos", alcançando grande êxito pela imparcialidade e indiscrição com que descrevia as cerimônias e fenômenos então quase desconhecidos de quem não freqüentava os centros.
Depois de convertido ao espiritismo, o Senhor Leal de Souza fez durante seis anos, com auxílio de cinco médicos, experiências de caráter científico sobre essas práticas, e principalmente sobre os trabalhos dos chamados caboclos e pretos.
O Senhor Leal de Souza, nos seus artigos sobre "O Espiritismo e as Sete Linhas de Umbanda", não vai fazer propaganda, porém, elucidação...

Estes artigos foram reunidos e publicados por Leal de Souza, constituindo o primeiro livro de Umbanda, contando em sua versão original com 118 páginas distribuídas em 35 capítulos, como segue abaixo:

Explicação Inicial
Os Perigos do Espiritismo
As Subdivisões do Espiritismo
A Transfusão do Pensamento
Os Médiuns Curadores
Materialização
O Copo, A Prancheta, A Mesa
Phenomenos de Materialização e efeitos Phisicos Espontâneos
A Cura da Obsessão
O Falso Espiritismo
O Baixo Espiritismo
A Feitiçaria
A Macumba
A Magia Negra
A Linha Branca de Umbanda e Demanda
Os Atributos e Peculiaridades da Linha Branca
O "Despacho"
As Sete Linhas Brancas
A Linha de Santo
Os Protectores da Linhas Branca de Umbanda
Os Orixás
Os Guias Superiores da Linha Branca
O Caboclo das Sete Encruzilhadas
As Tendas do Caboclo das Sete Encruzilhadas
A Tenda de Nossa Senhora da Piedade
A tenda de N. S. da Conceição
A Tenda de Nossa Senhora da Guia
As Festas da Linha Branca
Os que Desencarnam na Linha Branca
O Auxilio dos Espíritos na Vida Material
O Kardecismo e a Linha Branca de Umbanda
A Linha Branca, O Catholicismo e as Outras Religiões
Os Baptizados e Casamentos Espíritas
A Instituição de Umbanda
O Futuro da Linha Branca de Umbanda


Destes 35 Capítulos esperamos publicar alguns no Jornal de Umbanda Sagrada, em homenagem a Zélio de Moraes e ao Caboclo das Sete Encruzilhadas, cito os capítulos 23 – O Caboclo das Sete Encruzilhadas e 25 - A Tenda Nossa Senhora da Piedade.


O CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS
Por Leal de Souza
Cap.23 do livro O Espiritismo, A Magia e as Sete Linhas de Umbanda, 1933.

Se alguma vez tenho estado em contato consciente com algum espírito de luz, esse espírito é, sem dúvida, aquele que se apresenta sob o aspecto agreste, e o nome bárbaro de Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Sentindo-o ao nosso lado, pelo bem-estar espiritual que nos envolve, pressentimos a grandeza infinita de Deus, e, guiados pela sua proteção, recebemos e suportamos os sofrimentos com uma serenidade quase ingênua, comparável ao enlevo das crianças, nas estampas sacras, contemplando, da beira do abismo, sob as asas de um anjo, as estrelas no céu.
O Caboclo das Sete Encruzilhadas pertence à falange de Ogum, e, sob a irradiação da Virgem Maria, desempenha uma missão ordenada por Jesus. O seu ponto emblemático representa uma flecha atravessando um coração, de baixo para cima; a flecha significa direção, o coração sentimento, e o conjunto significam orientação dos sentimentos para o alto, para Deus.
Estava esse espírito no espaço, no ponto de intersecção de sete caminhos, chorando sem saber o rumo que tomasse, quando lhe apareceu, na sua inefável doçura, Jesus, e mostrando-lhe numa região da terra, as tragédias da dor e os dramas da paixão humana, indicou-lhe o caminho a seguir, como missionário do consolo e da redenção. E em lembrança desse incomparável minuto de sua eternidade, e para se colocar ao nível dos trabalhadores mais humildes, o mensageiro de Cristo tirou o seu nome do número dos caminhos que o desorientavam, e ficou sendo o Caboclo das Sete Encruzilhadas.
Iniciou assim, a sua cruzada, vencendo, na ordem material, obstáculos que se renovam quando vencidos, e dos quais o maior é a qualidade das pedras com que se deve construir o novo templo. Entre a humildade e doçura extremas, a sua piedade se derrama sobre quantos o procuram, e não poucas vezes, escorrendo pela face do médium, as suas lágrimas expressam a sua tristeza, diante dessas provas inevitáveis a que as criaturas não podem fugir. .
A sua sabedoria se avizinha da onisciência. O seu profundíssimo conhecimento da Bíblia e das obras dos doutores da Igreja autorizam a suposição de que ele, em alguma encarnação, tenha sido sacerdote, porém, a medicina não lhe é mais estranha do que a teologia.
Acidentalmente, o seu saber se revela. Uma ocasião, para justificar uma falta, por esquecimento, de um de seus auxiliares humanos, explicou, minucioso, o processo de renovação das células cerebrais, descreveu os instrumentos que servem para observá-las, e contou numerosos casos de fenômenos que as atingiram e como foram tratados na grande guerra deflagrada em 1914. Também, para fazer os seus discípulos compreenderem o mecanismo, se assim posso expressar-me, dos sentimentos explicou a teoria das vibrações e a dos fluídos, e numa ascensão gradativa, na mais singela das linguagens, ensinou a homens de cultura desigual as transcendentes leis astronômicas. De outra feita, respondendo a consulta de um espírita que é capitalista em São Paulo e representa interesses europeus, produziu um estudo admirável da situação financeira criada para a França, pela quebra do padrão ouro na Inglaterra.
A linguagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas varia, de acordo com a mentalidade de seus auditórios. Ora chã, ora simples, sem um atavio, ora fulgurante nos arrojos da alta eloqüência, nunca desce tanto, que se abastarde, nem se eleva demais, que se torne inacessível.
A sua paciência de mestre é, como a sua tolerância de chefe, ilimitada. Leva anos a repetir, em todos os tons, através de parábolas, por meio de narrativas, o mesmo conselho, a mesma lição, até que o discípulo, depois de tê-la compreendido, comece a praticá-la.
A sua sensibilidade, ou perceptibilidade é rápida, surpreendendo. Resolvi, certa vez, explicar os dez mandamentos da Lei de Deus aos meus companheiros, e, à tarde, quando me lembrei da reunião da noite, procurei, concentrando-me, comunicar-me com o missionário de Jesus, pedindo-lhe uma sugestão, uma idéia, pois não sabia como discorrer sobre o mandamento primeiro: Ao chegar à Tenda, encontrei o seu médium, que viera apressadamente das Neves, no município de São Gonçalo, por uma ordem recebida à última hora, e o Caboclo das Sete Encruzilhadas baixando em nossa reunião, discorreu espontaneamente sobre aquele mandamento, e, concluindo, disse-me: Agora, nas outras reuniões, podeis explicar aos outros, como é vosso desejo.
E esse caso se repetiu: - havia necessidade de falar sobre as Sete Linhas de Umbanda, e, incerto sobre a de Xangô, implorei mentalmente, o auxílio desse espírito, e de novo o seu médium, por ordem de última hora, compareceu à nossa reunião, onde o grande guia esclareceu, numa alocução transparente, as nossas dúvidas sobre essa linha.
A primeira vez em que os videntes o vislumbraram, no início de sua missão, o Caboclo das Sete Encruzilhadas se apresentou como um homem de meia idade, a pele bronzeada, vestindo uma túnica branca, atravessada por uma faixa onde brilhava, em letras de luz, a palavra "CARITAS". Depois, e por muito tempo, só se mostrava como caboclo, utilizando tanga de plumas, e mais atributos dos pajés silvícolas. Passou, mais tarde, a ser visível na alvura de sua túnica primitiva, mas há anos acreditamos que só em algumas circunstâncias se reveste de forma corpórea, pois os videntes não o vêem, e quando a nossa sensibilidade e outros guias assinalam a sua presença, fulge no ar uma vibração azul e uma claridade dessa cor paira no ambiente.
Para dar desempenho à sua missão na terra, o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou quatro Tendas em Niterói e nesta cidade, e outras fora das duas capitais, todas da Linha Branca de Umbanda e Demanda.



A TENDA NOSSA SENHORA DA PIEDADE
Por Leal de Souza
Cap.25 do livro O Espiritismo, A Magia e as Sete Linhas de Umbanda, 1933.

Sobe a presidência do Sr. Zélio Moraes, médium do Caboclo das Sete Encruzilhadas, erigida em sítio tranqüilo, entre arvores, a Tenda Nossa Senhora da Piedade é a casa humilde dos milagres...

Atacada de moléstia fatal, a filha de um comerciante de Niterói, agonizava sofrendo, e como a ciência humana se declarasse impotente para socorrê-la, seu pai, em desespero delirante, numa tentativa extrema, suplicou auxílio à modesta Tenda das Neves.

Responderam-lhe que só à noite, na sessão, o guia poderia tomar conhecimento do caso. Regressando ao lar, o desconsolado pai encontrou a filha morta e, depois de fazer constatar o óbito pelo médico, mando tratar o enterro.
No entanto, à noite, na Tenda de Nossa Senhora da Piedade, aberta a sessão, o Caboclo das Sete Encruzilhadas, manifestando-se, disse aos seus auxiliares da Terra, ainda desconhecedores o desenlace da doença, que se concentrassem, sem quebra da corrente, e o esperassem, pois ia para o espaço, com suas falanges, socorrer a enferma que lhes pedira socorro.

Duas horas depois voltou, achando aqueles companheiros exaustos, do longo esforço mental. Explicou-lhes, então, na pureza da sua realidade, a situação, e mandou-os que fossem em nome de Jesus, retirar a morta da mesa mortuária, e comunicar-lhe que a misericórdia de Deus, para atestar os benefícios do espiritismo, permitia-lhe viver, enquanto não negasse o favor de sua ressurreição.

Confiante em seu chefe, os humildes trabalhadores da Tenda da Piedade cumpriram as ordens recebidas, e a moca não só ficou viva, como curada. O médico, que lhe tratou da moléstia, e que lhe constatou o óbito observou-a, por algum tempo, até desistir de penetrar o misterioso de seu caso, classificando-o na ordem sobrenatural dos milagres.

Meses depois, a mesa do almoço, conversando, a resurrecta contestou com firmeza, negando-a, a ação espiritual que lhe restituir a vida material, porém nessa ocasião adoeceu de uma indigestão, falecendo em menos de vinte e quatro horas.

Uma associação de grande autoridade no espiritismo, ao ter conhecimentos desses fatos, resolveu apurá-los com severidade, para desmenti-los ou confirmá-los sem sombra de dúvida e, num inquérito rigoroso, com auxilio das autoridades do Estado do Rio de Janeiro, estabeleceu a plena veracidade deles, publicando, no órgão de Federação Espírita a sua documentação.

A média mensal das curas de obsedados que iriam para os hospícios como loucos, é de vinte e cinco doentes, na Tenda da Piedade.

Os espíritos que baixam nesse recinto não procuram deslumbrar os seus consulentes com o assombro de manifestações portentosas, mas as produzem muitas vezes, que lhas exigem as circunstâncias.

Os auxiliares humanos do Caboclo das Sete Encruzilhadas, na Tenda que é, por excelência, a sua Tenda, mesmo os que têm posição de revelo na sociedade, não se orgulham dos favores que lhes são conferidos e procuram, com doçura e humildade, merecer a graça de contribuir, como intermediários materiais, para a execução na Terra, dos desígnios do espaço.

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