domingo, 20 de julho de 2008

Omolubá

omolubá

quem foi omolubá e qual foi seu papel dentro do movimento umbandista e suas fases e divulgação?
Ney Nery dos reis, omolubá, nome em que homenageia ao orixá Omolu. mora em Teresópolis (RJ).sua vida sempre esteve ligada aos meios de comunicação. nos jornais como revisor de redação e na umbanda editor de revistas e escritor. o coração de omolubá sempre esteve aberto para umbanda e, por isso mesmo, voltado para a transmissão de informações e ensinamentos. como a boa literatura na umbanda sempre foi escassa aqueles que se viam atraídos pela umbanda passaram a buscar com ansiedade seus livros que aos poucos ganharam lugar nas livrarias e, principalmente nas cabeceiras de seus leitores.

eis as obras de omolubá:
1-umbanda poder e magia (esgotado):
2-yemanjá rainha do mar 3º edição
3-cadernos de umbanda 4º edição
4-tranca ruas das almas do real ao sobrenatural
5-abc da umbanda (esgotado)
6-pérolas espirituais 2º edição
7-vivendo com inteligência e amor ( esgotado)
8-anjos do apocalipse ( esgotado)
9-almas e orixá 3º edição
10- revista seleções de umbanda 1974 a 1977 onde levanta toda a história da umbanda com uma grande - participação de suas entidades espirituais. orientado por elas terminou conhecendo a jornalista Lílian ribeiro, cuja tenda foi originária de uma das tendas originárias do caboclo das sete encruzilhadas, a tenda de são Jerônimo ou de xangô. a partir desse conhecimento conseguiu as informações que vinham sendo cobradas por suas entidades e deu à luz a história da umbanda e a comprovação desta história, dando oportunidade ao público de conhecer essas informações.
11- orixás na umbanda 3º edição
12- fundamentos de umbanda- instrução religiosa 2º edição
13- manual prático de jogos de búzios – 1º edição
14- maria’ molambo, na sombra e na luz
15- orixá mitos e a religião na vida contemporânea
hoje tem 15 obras editadas omolubá (isto pode sair pois a informação é óbvia, está em cima).
nasceu em26 de setembro de 1929 Itabuna,( Bahia) criou-se em salvador. sua formação religiosa iniciou-se desde cedo ao acompanhar familiares entre os anos 1937 a 1946 ao bairro do retiro a uma roça de candomblé de nome bate-folha cujo o Babalorixá chamava-se Manoel Bernadino da paixão ( Bernadino do bate folha) famoso pai de santo ( da nação angola) do candomblé baiano.
chegou ao rio de janeiro em fins de 1948. omolubá assistiu a uma sessão de umbanda em em1950, ficando curioso e encantado pela existência de um culto inteiramente desconhecido em sua terra natal.
em 1960, acossado pela “mediunidade de berço”, que afetava gravemente sua constituição orgânica, socorreu-se da umbanda, optando, daí por diante, definitivamente, pela nova prática pelas mãos afetivas da Yalorixá alexandrina dos santos, mais conhecida como mãe doca, fez sua iniciação sacerdotal, assumindo integralmente, em 1970, sua qualificação como Babalorixá de umbanda, originando-se daí, o seu nome iniciático omolubá, sagrado pelos seus guias em homenagem ao orixá Omolu.
quando em, 1976, , deu à luz o livro “fundamentos de umbanda” revelação religiosa, juntamente com israel Cisneiro, jornalista e professor de religiões comparadas, a mais importante obra que foi publicada sistematizando o ritual de umbanda e as principais bases para sua teologia.
indiscutivelmente, cabe a omolubá, entre outros, papel relevante na construção doutrinária da umbanda. edita, em 1975, a revista seleções de umbanda, que circulou durante três anos consecutivos. em 1976, ambos, omolubá e Cisneiro, por meio de rigorosa pesquisa de campo que se entendeu, até mesmo, a outros estados brasileiros ( Paraná,mato grosso espírito santo), descobrem, verificam, aprofundam e anunciam para todo o país a verdadeira identidade astral, filosófica e cultural da umbanda. ambos demonstram que a umbanda é a única religião tipicamente brasileira . sua origem, como provaram suas pesquisas, foi no bairro de neves, em Niterói, em 1908, sendo o seu anunciador um espírito que a si próprio deu o nome de caboclo das sete encruzilhadas. seu médium foi o valoroso e incansável Zélio de Moraes nascido1891 e falecido em 1975.
mediunicamente, omolubá, foi alertado pelo espírito de Ângelo de Lys , poeta pernambucano, que dissera que na terra de Arariboia. omolubá esteve lá mas nada conseguiu, vindo a conseguir depois, como já foi dito, a obter as informações através da jornalista Lilian ribeiro, fundadora da tenda de umbanda luz, esperança e fé.
esse conhecimento se deu numa reunião do Condu ( conselho nacional deliberativo de umbanda). Lílian ribeiro editava, à época, um jornal de nome” macaia! onde em um de seus números homenageava Zélio de Moraes como mentor e anunciador da umbanda. era o mais antigo zelador da umbanda). omolubá aprofundou sua pesquisa e investigação e sendo comprovada e realidade dos fatos de que terra de Arariboia, forma como se referia a Niterói em virtude do índio Arariboia que foi aliado dos portugueses na luta contra os franceses. era chefe da tribo dos tamoios. omolubá então divulga que a primeira manifestação do caboclo se deu em 15 de novembro de 1908, quando foi anunciada a nova religião e seu nome: umbanda; divulgou também que a primeira reunião de umbanda se deu em 16 de novembro de 1908.
a importância do reconhecimento da origem e do fundador da umbanda foi divulgada por toda a nação, até mesmo pelo jornal do tele curso nº 52, (400 mil exemplares de tiragem e mais de 1 milhão de ouvintes). toda essa divulgação veio através do trabalho de omolubá.


em sua obra, omolubá não busca fazer uma umbanda que levasse o seus nome, como vimos e vemos até hoje em nossa religião. sem arroubos visionários e sem recorrer a fórmulas herméticas tão comuns em tais preposições, omolubá tece seus argumentos buscando explicar concreta e claramente para o leitor a umbanda, enquanto rito e doutrina.

em 1977 no primeiro encontro nacional de umbanda, realizado no “ caminheiros da verdade”, perante uma assistência de mais de 200 pessoas grafou a palavra “umbandismo”.se o espírito pratica o espiritismo, o católico o catolicismo, a umbanda pratica o umbandismo.

viajou para o México e lá fundou na cidade de capuluac o primeiro templo de umbanda daquele país.
a história da umbanda divulgada por omolubá foi objeto de várias reportagens, incluindo jornais e revistas. podemos citar dentre muitas fontes de divulgação a revista planeta e a revista esotera .

a partir daí não mais se pode negar a origem da umbanda. a verdade tinha vindo a tona. não havia como negar um fato concreto, comprovado através de fatos e registros.
sem arroubos visionários e sem recorrer a fórmulas herméticas tão comuns em tais preposições, omolubá tece seus argumentos buscando explicar concretamente .

a seguir, vamos transcrever uma entrevista de omolubá ao jornal esotera
esotera - podemos então afirmar para os pesquisadores, estudiosos, fiéis umbandistas e de outros credos que a umbanda é uma religião genuinamente brasileira?
omolubá - a umbanda é a única religião nascida no Brasil; todas as outras foram importadas. não podemos, contudo, dizer que seja genuína pelo fato de tal vocábulo significar : próprio, natural, sem mistura etc. exceto o totemismo e o animismo todas as religiões, seitas, cultos e denominações outras existentes no mundo derivam-se de manifestações do passado e inclusive, passam quase que necessariamente pelas já citadas todas, portanto, são sincréticas e portadoras de influências.
esotera - qual o sincretismo da umbanda ?
omolubá - a nossa querida umbanda é sincrética com o hinduísmo, aceitando - sem dogmatismo - as leis de carma, evolução e reencarnação. com o cristianismo, bebendo das primeiras águas do amai-vos uns aos outros. do africanismo, os orixás, arcabouço cósmico da natureza universal. recebe também influências do catolicismo, do espiritismo e da cultura ameríndia.esotera - gostaríamos de saber qual o papel relevante da umbanda no nosso país para os dias de hoje?omolubá - historiadores e demais estudiosos afirmam que o papel da religião é o de civilizar, frear, incentivar os bons costumes, dar esperanças, fazer promessas, enfatizar a bondade e assegurar uma vida melhor no presente e, até mesmo, após a morte física dos ser humano.mas todos nós estamos cientes, de que o sofrimento, o conflito, a violência, a angústia e a dor são os parceiros constantes dos habitantes planetários, ressalvando-se, é claro, alguns momentos de prazer e alegria. a nossa amada umbanda não foge á regra , mas deseja muito mais, deseja humanizar seus devotos. daí, cônscios da própria natureza da religião dizermos que o seu papel primacial é o de despertar anseios de espiritualidade na criatura humana.
esotera - bem, evidentemente, esse é o papel de todas as religiões. pois não?
omolubá - assim deveria ser , mas não o é. hoje, com raras exceções, elas são empresas de enriquecimento, multinacionais em sôfrega busca de lucro fácil,concorrendo entre si, englobando política, negócios e outros afazeres bem estranhos a um culto religioso. estão completamente fora dos propósitos de origem. são os mercadores do templo..em vez de orientarem os seus fiéis para se libertarem de credos supersticiosos, buscarem a verdade, conhecimento de si mesmo, por ordem na própria psique, eles, ( padres, pastores, missionários etc.) ao contrário, perversamente, condicionam, atemorizam, amedrontam, hipnotizam e drogam o incauto buscador de amparo religioso.
esotera - em 1908 o caboclo das sete encruzilhadas, perguntado sobre o nome do culto nascente disse umbanda. para o senhor, qual a significação correta da palavra?
omolubá - o nome umbanda é originário do bantu-kimbundu (angola) onde mbanda significa: arte de curar e kimbanda: o curandeiro, invocador de espíritos . no entanto, o caboclo das sete encruzilhadas - porta voz dos mentores do plano astral – generalizou o sentido final da palavra , declarando ser “umbanda a manifestação do espírito para a caridade” .outros significado são sofismas, meras especulações fantasiosas.
esotera - nota-se, frontalmente, sem mesmo apoiar-nos em conhecimentos estatísticos, que a umbanda, nesses últimos vinte e cinco anos, perdeu mais de 60% de seguidores para as igrejas petencostais modernas, também conhecidas por igrejas eletrônicas. qual a tendência, a seu ver, para os anos vindouros?
omolubá - a umbanda não perdeu. ganhou. isto sim! ficou livre, em parte, de uma escória que persiste em todas as religiões. são milhões de criaturas interesseiras, estúpidas em busca de vantagens rasteiras e que por infinita ignorância, desejam “fazer negócios” com o divino. a bem da verdade devemos confessar que supostos sacerdotes de umbanda, em alguns casos, estavam despreparados para o ofício. não devemos esquecer, que de 1908 a l978, atravessamos o “período de propagação”e , de l978 a 2049 temos a enfrentar o “período de afirmação doutrinária”. o refluxo está se esvaindo. o grande público da nação brasileira – principalmente os mais jovens – já se deram conta de que essas supostas igrejas estão explorando o poviléu, constituídos de pobres de espírito e de bens materiais. um caso de polícia e de justiça. em um país sério seriam chamado às barras de um tribunal. é claro, se estivéssemos em um país sério...
esotera - para encerrar, gostaríamos de tomar conhecimento dos seus projetos futuros.
omolubá - não faço mais projetos para o futuro. o meu futuro é o agora. posso apenas adiantar que o livro fundamentos de umbanda será reeditado em abril deste ano de 2004 pela editora cristális. saravá a todos os irmãos leitores do combativo jornal esotera salve a umbanda! glória a Olorum!

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