domingo, 23 de outubro de 2016

ASSEMA

PORQUE A SIMPLISCIDADE NÃO SATISFAZ?

Depois de alguns anos militando na umbanda, comecei a desenvolver um senso critico no diz respeito a minha religião.
Passei a observar as mudanças, as evoluções, os retrocessos, o comportamento, enfim tudo que se refere ao dia a dia da Umbanda.
Uma coisa tem me incomodado muito; a falta de simplicidade que tenho observado nos terreiros. Quando iniciei na Umbanda, pés no chão, uma roupa branca, algumas velas brancas no altar e o terreiro estava pronto para funcionar, as entidades sempre presentes, os consulentes atendidos, os médiuns felizes por estarem ali, enfim uma atmosfera propícia para pratica do bem.
Não existiam cursos como, por exemplo, formação de “sacerdotes” em dois anos, nosso aprendizado era dentro do terreiro, ouvindo o dirigente, as entidades, os mais experientes.
Muitos vão dizer que a evolução é importante e faz parte da vida, concordo, mas penso que deva ser uma evolução inteligente, coerente.
Infelizmente tenho visto muitos que inventam rituais, fundamentos praticas, muitas beirando o absurdo, outros vão buscar em outras religiões, praticas que nada tem haver com a Umbanda, em nome de uma pretensa evolução.
Vejo a subserviência, a idolatria à pessoa do “pai de santo” muito grande, vejo que em muitos casos a espiritualidade fica em segundo plano, hoje Orixá virou sobrenome e até propriedade pessoal, terreiros viraram desfile de moda ou concurso de fantasias.
Aprendi que quando se vai a outro terreiro devemos saber entrar e sair, minha Mão de Santo, nos ensinou que quando visitamos outra casa, salvo se somos convidados pelo chefe do terreiro, somos assistência, e nosso lugar é “na fila do passe” como ela dizia. O que ocorre hoje é bem diferente, “pais de santo” que se acham no direito de exigir que se dobrem atabaques para ele, que se prestem reverencias, e muitas vezes ainda saem reparando, criticando ou caçoando do trabalho, e por que tudo isto? Justamente pelo fato de que a espiritualidade para eles é apenas um detalhe.
Não sei onde isto vai acabar, espero que acabe antes que a Umbanda acabe…
Amigos longe de mim querer generalizar ou ser o dono da verdade, como disse no inicio, sou apenas um observador do comportamento umbandista.
Ainda bem que temos terreiros que ainda mantêm a essência da Umbanda, onde a palavra de um Preto Velho ou de um Caboclo é ouvida e seguida. Onde o dirigente senta com seus filhos, ouve, explica, não tem vergonha de dizer “não sei, mas vou tentar aprender”.
Este texto nada mais é que um desabafo de um saudosista, que pisou muito em terreiro de chão batido, que limpou muito cinzeiro, que já caiu varias vezes de “bunda” no chão durante o desenvolvimento, que já levou muito “pito” de entidades, que teimou muitas vezes, mas que aprendeu a amar com todas as forças a Umbanda, e que depois de todo este tempo vivenciando a Umbanda tem uma pergunta aos Umbandistas:
POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ ?


quinta-feira, 13 de outubro de 2016



Ubuntu:




Filosofia Africana Que Nutre O Conceito De Humanidade Em Sua Essência
Date: 13/03/2016in: África e sua diáspora
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Uma sociedade sustentada pelos pilares do respeito e da solidariedade faz parte da essência de ubuntu, filosofia africana que trata da importância das alianças e do relacionamento das pessoas, umas com as outras. Na tentativa da tradução para o português, ubuntu seria “humanidade para com os outros”. Uma pessoa com ubuntu tem consciência de que é afetada quando seus semelhantes são diminuídos, oprimidos. – De ubuntu, as pessoas devem saber que o mundo não é uma ilha: “Eu sou porque nós somos”.

Do Portal Raízes

Eu sou humano, e a natureza humana implica compaixão, partilha, respeito, empatia – detalhou em entrevista exclusiva ao Por dentro da África, Dirk Louw, doutor em Filosofia Africana pela Universidade de Stellenbosch (África do Sul). Dirk conta que não há uma origem exata da palavra. Estudiosos costumam se referir a ubuntu como uma ética “antiga” que vem sendo usada “desde tempos imemoriais”. Alguns pesquisadores especulam sobre o Egito Antigo (parte de um complexo de civilizações, do qual também faziam parte as regiões ao sul do Egito, atualmente no Sudão, Eritreia, Etiópia e Somália) como o local de origem do ubuntu como uma ética, mas o próprio fundamento do ubuntu é geralmente associado à África Subsaariana e às línguas bantos (grupo etnolinguístico localizado principalmente na África Subsaariana).

No fundo, este fundamento tradicional africano articula um respeito básico pelos outros. Ele pode ser interpretado tanto como uma regra de conduta ou ética social. Ele descreve tanto o ser humano como “sercom-os-outros” e prescreve que “ser-com-os-outros” deve ser tudo. Como tal, o ubuntu adiciona um sabor e momento distintamente africanos a uma avaliação descolonizada – contou o especialista e membrofundador da South African Philosopher Consultants Association.

Na esfera política, o conceito é utilizado para enfatizar a necessidade da união e do consenso nas tomadas de decisão, bem como na ética humanitária. Dirk lembra que também existe o aspecto religioso, assentado na máxima zulu (uma das 11 línguas oficiais da África do Sul) umuntu ngumuntu ngabantu (uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas) que, aparentemente, parece não ter conotação religiosa na sociedade ocidental, mas está ligada à ancestralidade. A ideia de ubuntu inclui respeito pela religiosidade, individualidade e particularidade dos outros.

Ubuntu ressalta a importância do acordo ou consenso. A cultura tradicional africana, ao que parece, tem uma capacidade quase infinita para a busca do consenso e da reconciliação (Teffo, 1994a: 4 – Towards a conceptualization of Ubuntu). Embora possa haver uma hierarquia de importância entre os oradores, cada pessoa recebe uma chance igual de falar até que algum tipo de acordo, consenso ou coesão do grupo seja atingido. Este objetivo importante é expresso por palavras como Simunye (“nós somos um”, ou seja, “a união faz a força”) e slogans como “uma lesão é uma lesão para todos” (Broodryk, 1997a: 5, 7, 9 – Ubuntu Management and Motivation, de Johann Broodryk). Uso da palavra com a democracia na África do Sul Após quase cinco décadas de segregação racial apoiada pela legislação, o processo de construção da África do Sul no pós-apartheid exigia igualdade universal, respeito pelos direitos humanos, valores e diferenças. Desta forma, a ideia de ubuntu estava diretamente ligada à história da luta contra o regime que excluía a cidadania e os direitos dos negros.

LOVE183YAY1SAD0LAME2ANGRY1 - Leia a matéria completa em: http://scl.io/7Hpyi6i_#gs.null


domingo, 27 de dezembro de 2015


ORIXÁS QUE VÃO REGER O ANO



OXALÁ
Oxalá é o pai de todos os Orixás, ele oferece ajuda a todos nos momentos de dificuldade. Este Orixá possui uma capacidade incrível de argumentação, além de muita simpatia. Destaca-se, ainda, por sua inteligência e por seu forte poder de auxiliar as pessoas quando necessitam. Segundo a cultura afro-brasileira, é o primeiro orixá e também o responsável pela criação da vida na terra. Generoso e possuidor de muita sabedoria, ele teria ficado encarregado de fazer as esculturas da criação dos seres humanos. Porém, estava proibido de beber vinho ou azeite-de-dendê. Por desobedecer esta regra, algumas pessoas saíram com deficiência física. Os filhos de Oxalá são considerados calmos e pacientes. Muito extrovertidos e amigos, raramente fazem inimizades e se entregam de corpo e alma nas relações. Mas quando perdem a calma ou mesmo quando sua confiança é traida, qualquer tipo de argumento será inútil para reconquistar sua amizade.




NANÃ
A Deusa mais velha entre todos os Orixás. Sua atitude costuma ser severa, mas é determinada naquilo que se propõe a fazer. Também costuma agir sempre com rigor na hora de tomar decisões. Este Orixá oferece segurança e jamais aceita uma traição. Conforme a tradição afro-brasileira, Nanã além de ser a mais antiga das divindades, foi também a primeira esposa de Oxalá. A mais velha deusa da água está associada às pessoas idosas, à maternidade e seu elemento principal é a lama, o lodo dos rios e dos mares. Como possui um temperamento rígido e não tolera desobediência, é capaz de castigar com a intenção de educar. Nas cerimônias da umbanda é conhecida como vovó. As pessoas consideras filhas de Nanã são geralmente calmas, sérias e introvertidas. Seguras e equilibradas em tudo o que fazem, gostam de ajudar as pessoas, agindo com gentileza e muita dignidade. Quando precisam desenvolver algum trabalho, mesmo que exija rapidez, sabem usar da paciência 

quinta-feira, 23 de julho de 2015




 
                                                             POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ?
Depois de alguns anos militando na umbanda, comecei a desenvolver um senso critico no diz respeito a minha religião.
Passei a observar as mudanças, as evoluções, os retrocessos, o comportamento, enfim tudo que se refere ao dia a dia da Umbanda.
Uma coisa tem me incomodado muito; a falta de simplicidade que tenho observado nos terreiros. Quando iniciei na Umbanda, pés no chão, uma roupa branca, algumas velas brancas no altar e o terreiro estava pronto para funcionar, as entidades sempre presentes, os consulentes atendidos, os médiuns felizes por estarem ali, enfim uma atmosfera propícia para pratica do bem.
Nosso aprendizado era dentro do terreiro, ouvindo o dirigente, as entidades, os mais experientes.
Muitos vão dizer que a evolução é importante e faz parte da vida, concordo, mas penso que deva ser uma evolução inteligente, coerente.
Infelizmente tenho visto muitos que inventam rituais, fundamentos, praticas, muitas beirando o absurdo, outros vão buscar em outras religiões, praticas que nada tem haver com a Umbanda, em nome de uma pretensa evolução.
Vejo a subserviência, a idolatria à pessoa do “pai de santo” ou a uma determinada "entidade", muito grande, vejo que em muitos casos a espiritualidade fica em segundo plano, hoje Orixá virou sobrenome e até propriedade pessoal, terreiros viraram desfile de moda ou concurso de fantasias.
Aprendi que quando se vai a outro terreiro devemos saber entrar e sair, minha Mãe de Santo, nos ensinou que quando visitamos outra casa, salvo se somos convidados pelo chefe do terreiro, somos assistência, e nosso lugar é “na fila do passe” como ela dizia. O que ocorre hoje é bem diferente, “pais de santo” que se acham no direito de exigir que se dobrem atabaques para ele, que se prestem reverências, e muitas vezes ainda saem reparando, criticando ou caçoando do trabalho, e por que tudo isto? Justamente pelo fato de que a espiritualidade para eles é apenas um detalhe.
Não sei onde isto vai acabar, espero que acabe antes que a Umbanda acabe...
Amigos longe de mim querer generalizar ou ser o dono da verdade, como disse no inicio, sou apenas um observador do comportamento umbandista.
Ainda bem que temos terreiros que ainda mantêm a essência da Umbanda, onde a palavra de um Preto Velho ou de um Caboclo é ouvida e seguida. Onde o dirigente senta com seus filhos, ouve, explica, não tem vergonha de dizer “não sei, mas vou tentar aprender”.
Este texto nada mais é que um desabafo de um saudosista, que pisou muito em terreiro de chão batido, que limpou muito cinzeiro, que já caiu varias vezes de “bunda” no chão durante o desenvolvimento, que já levou muito “pito” de entidades, que teimou muitas vezes, mas que aprendeu a amar com todas as forças a Umbanda, e que depois de todo este tempo vivenciando a Umbanda tem uma pergunta aos Umbandistas:
POR QUE A SIMPLICIDADE NÃO SATISFAZ ?
Marco Boeing

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Boa de briga - M Blogs - Hoje Em Dia

Boa de briga - M Blogs - Hoje Em Dia







Espetacular!!! Sou suspeita...sou amiga, irmã e tenho muito orgulhos de você Luziana.Agradeço a vida ter me permitido ser sua amiga. Aprendo com você todos os dias. Nestes cinquenta anos de amizade que passou rápido, como rápido passam as coisas boas. Sinto nestes anos que ESTAMOS prontas pra mais cinquenta.
Parabéns minha AMIGA Luziana,. Mãe Maria.

terça-feira, 21 de abril de 2015






"ERA DE MADRUGADA QUANDO EU OUVI O TOQUE DE ALVORADA...
OGUM IARA COM SUA ESPADA NA MÃO...
SEU SETE ONDAS,  BEIRA MAR, OGUM MEGÊ, OGUM ROMPE MATO, OGUM IARA, OGUM MATINATA,  OGUM...
MEU PAI OGUM COM SUA ESPADA NA MÃO,
PARA NOS DEFENDER DE TODOS OS NOSSOS CONFLITOS...
AO LONGE JÁ SE VIA UM BATALHÃO,
ERA SEUS FILHOS NA UMBANDA CANTANDO ESTE REFRÃO:
OGUM! OGUM! VEM ABRIR NOSSOS CAMINHOS... VENHA PRA NOS PROTEGER.
OGUNHÊ  PATACURI".

Ogum: divindade masculina iorubá, bastante cultuado no brasil, especialmente por ser associado à luta,  à conquista. É  o orixá que está mais próximo dos seres humanos. O guerreiro sempre foi a figura mítica do deus mais invocada, já que é sua função realizar no astral as guerras que os seres humanos não conseguem travar ou vencer  na sua luta cotidiana. Ogum, orixá da guerra, do ferro e do metal. Ferreiro por profissão, a ponto de ser o patrono da agricultura, pois sempre fez as ferramentas para as lidas com a terra; é  também o orixá que venceu muitas batalhas por amor. Ogum será sempre nosso defensor e está sempre disposto a nos ajudar e a defender uma justa causa.

Cor a ser mentalizada: vermelho

O que ser mentalizado: as campinas, estradas de terra e de ferro.

Elemento: água, terra, fogo e ar

Cântico: vibrantes, fortes, pedindo a ogum força e coragem para vencer suas guerras interiores.

Quando ogum foi para a guerra
Ele mandou ora, ora
Quando ogum venceu a guerra
Ele mandou ora, ora
Ora, ora, ora, ora é vencer (bis)

Guias: as guias de ogum são vermelhas de cristal. Em nossa casa branca padronizamos a guia de cristal nº 8. São feitas em múltiplos de 7 de forma a contornar o plexo solar. Esta guia só pode ser usada pelos médiuns que se afinam de uma forma incomum com esta energia, após entendimento e conversa com os zeladores, e deve nascer após a quinta obrigação: (os dois orixás), que é dada pelos zeladores da casa e sob sua responsabilidade.

Características de seus filhos: pelas próprias características deste orixá, vemos que seus filhos são sempre pessoas valentes, destemidas, em busca de novos objetivos, corajosos. Os filhos de ogum são muito mais paixão do que razão.

Dia em que se comemora ogum: 23 de abril. (de acordo com o calendário oficial de umbanda).

Dia da semana: terça-feira

O que pedir a este orixá: força nas demandas, nas guerras interiores, nas batalhas do dia a dia.

Flores: rosas vermelhas, cravos vermelhos, palmas vermelhas, crista de galo, espada de ogum.

Frutas: manga espada, cajá, coco, cajarana, cajá-mirim.

Ervas: espada de ogum, taioba, mangueira, dracena, jambo amarelo, jambo vermelho, losna, vassourinha de relógio, palmeira do dendezeiro, cajazeira, açoita cavalo, aroeira, dracena vermelha, carqueja, eucalipto, agrião, etc.

Bebidas: cerveja branca, vinho seco ou rascante, vinho de palma, sumo de suas próprias ervas e  frutos.

Mineral: ferro

Saudação: "pata kori ogum! Ogunhê! "
Importante, supremo. Ogum sobreviveu forte

Oferendas: todas as vezes que os zeladores ou direção espiritual da casa perceberem a necessidade de um filho fazer uma oferenda para um orixá, lhe será dado o pedido e marcado o dia a ser feito.

Pontos



Ogum olha sua bandeira
É  verde, é branca, é incarnada
Ogum nos campos de batalha
Ele venceu a guerra
E  não perdeu soldados.



Ogum, que abalou as estrelas
Que abalou as areias
E as ondas do mar, ogum (bis)
Ogum, a hora é boa
Abra meus caminhos
Gira este congá, ogum (bis)
Oh, que céu tão estrelado
Oh, que noite tão formosa (bis)
Carruagem tão bonita
Carruagem tão bonita
Que ogum ganhou (bis)

Que cavaleiro é aquele
Que vem cavalgando pelo céu azul
É  seu ogum matinata
Que é defensor do cruzeiro do sul.
Rê, rê, rê
Rê, rê, rá
Rê, rê rê, seu cangira
Pisa na umbanda (bis)
Olha que barco bonito
Quem vem navegando em pleno luar
É seu ogum sete ondas que vem ao encontro 
De ogum beira mar
Re r ere...etc


Seu ogum baira mar
O que trouxe do mar (bis)
Quando ele vem,
Beirando a areia,
Vem trazendo no braço direito
O rosário da mãe sereia.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015




Canjerê: s.m. Bras. Ajuntamento de pessoas, geralmente negros, para danças ou cerimônias rituais.

“Canto, crítica e educação em terreiros

“Com tanta escola nesse mundo, / vovó Porque
Não aprendeu a ler ? /ela aprendeu feitiçaria – na Umbanda – / Na mesa
do canjerê.”

Repetida enfaticamente, essa é uma das cantigas
ouvidas na Tenda Espírita Ajuda Quem Tem
Fé, localizada no bairro de Quintino Bocaiúva,
no Rio de Janeiro, em 22 de maio de 2010. Uma
audição mais atenta, assim como de outros cânticos
semelhantes, logo permite concluir que as cantigas
da umbanda não estão soltas, perdidas no tempo
e no espaço, nem vinculadas somente ao contexto
da religião. Elas não se referem apenas a mitos
religiosos africanos e afro-brasileiros. Ao contrário,
esses cânticos estão vinculados ao processo histó-
rico no qual seus autores (anônimos, em grande
parte), cantores e ouvintes estão inseridos. E mais:
muitas vezes chegam a comentá-lo de modo crítico
e irônico. Assim, refletindo sobre o contexto social,
são intervenções nele.
Esse é o caso da cantiga que abre esse texto,
a qual remete às relações entre as religiões
afro-brasileiras e o campo da Educação. A esse
respeito, seus versos são bastante claros. Ao
contrapor a quantidade de escolas existentes à
persistência do analfabetismo entre as pessoas
que cantam, ela é uma crítica direta à exclusão
escolar sofrida pelos umbandistas, em geral, e
pelos afrodescendentes, em particular. Como não
há especificação de quando foi feita e passou a
ser cantada, essa crítica refere-se a um tempo
amplo que abarca desde um passado indefinido,
que se estende para além de quando a umbanda
foi anunciada publicamente, no início do século
XX, e alcança o período da escravidão no Brasil,
do tráfico negreiro e da diáspora africana,
até o presente, quando continua a ser cantada a
plenos pulmões em muitos terreiros das cidades
brasileiras. Nessa abrangência temporal e ao falar
nas escolas “pelo mundo”, a cantiga delineia
uma espacialidade também vasta, que, abarcando
regiões longe do Rio de Janeiro, a partir de onde
a umbanda foi divulgada, conecta Brasil, África
e além. Em uma leitura livre, é possível entrever
nesse cântico um protesto contra todo e qualquer
processo de exclusão.
A primeira parte da cantiga, com dois versos, é
explicitamente um questionamento do status quo,
com sua pergunta firme sobre a manutenção da
carência para uns em meio à fartura para outros.
O trecho seguinte, também com dois versos, deixa
igualmente evidente o seu sentido, de valorização
da cultura do terreiro. Entretanto, com relação à
música, essas partes são um tanto contrastantes. O
primeiro segmento é homogêneo e linear, preparatório
do seguinte, que é mais diferenciado, pois
o ritmo acelera enquanto os tons variam, sobem e
descem, sobretudo na expressão “minhas almas”,
que na transcrição foi posta entre travessões e
com um ponto de exclamação ao final, de modo a
traduzir graficamente a interjeição que nomeia os
espíritos cuja proteção é invocada. Essa variação
rítmica e tonal caracteriza a segunda parte como
clímax da cantiga, segmento no qual se defende
o terreiro como lugar de ensino e aprendizagem,
bem como os seus integrantes como sujeitos ativos
nesses processos sociais. Em síntese, a cantiga diz
que, embora não aprendam a ler (e a escrever),
os membros do terreiro não deixam de produzir,
transmitir e preservar conhecimento.
A citada Maria Conga é uma das entidades que
incorporam em alguns membros do culto em giras
de preto velho. Homem ou mulher, esse tipo sociocultural
é muito caro às culturas afro-descendentes
no Brasil que se constituem valorizando os vínculos
com a ancestralidade, apoiando-se em suas matrizes
africanas. Nesse contexto, pretos velhos e pretas
velhas representam resistência, sabedoria, resignação
e humildade. São figuras fundamentais nos
processo de geração, salvaguarda e transmissão de
ideais, valores, saberes e fazeres nas comunidades
que ajudam a constituir, os terreiros, e naquelas às
quais estes se vinculam, seja a vizinhança próxima
ou distante. Na cantiga, Maria Conga é apresentada
como detentora de conhecimentos que foram adquiridos
por meio de uma aprendizagem específica,
em comparação a quem não tem oportunidade de
aprender a ler, a despeito das muitas escolas existentes.
Portanto, Maria Conga é uma sábia nesse
contexto. É também uma mestra, pois tem muito a
ensinar “na mesa do canjerê”.
O Dicionário Houaiss apresenta “canjerê” como
“agrupamento de pessoas para prática de feitiçarias”
e como “ato de feitiçaria; bruxaria, feitiço, Revista da FAEEBA – Educação e Contemporaneidade, Salvador, v. 20, n. 35, p. 177-185, jan./jun. 2011 179
Roberto Conduru
mandinga” (HOUAISS). Nei Lopes diz ser a “antiga
denominação das reuniões religiosas dos negros
no Brasil; feitiço, mandinga” (2004, p.163). Na
cantiga, a “mesa do canjerê” caracteriza, portanto,
as instalações do próprio terreiro, permitindo ver
como a escola e o terreiro estão conectados também
por meio do mobiliário, da cultura material. Com
o quê é possível concluir que, na mesa do terreiro,
assim como nas carteiras escolares, é possível
aprender e ensinar.
Desse modo, a segunda parte da cantiga defende
o terreiro como lugar e seus membros como sujeitos
nos processos de ensino e aprendizagem. O que
afirma a feitiçaria como um saber. Um saber que
é praticado pelos adeptos da religião no contexto
social, em paralelo aos ensinamentos adquiridos
por outrem na escola. Nessa comparação, o feitiço
não é apenas uma via de acesso aos espíritos de
progenitores míticos e de ancestrais cultuados, pois
também auxilia os membros do terreiro em suas
inserções no contexto social que os exclui. Assim,
a cantiga apresenta o terreiro como uma escola de
feitiçaria que é tanto uma escola religiosa quanto
uma escola para a vida.
Articulando a escola e o terreiro como lugares
de ensino e aprendizagem, a cantiga abre caminho
para comparar os efetivos papéis dessas institui-
ções na capacitação das pessoas, em geral, e dos
afro-descendentes, em particular, como sujeitos
sociais. E abre a reflexão sobre serem antagônicas
ou complementares essas instituições, bem como
sobre distâncias